Juíza mantém prisão de 9 de 10 militares do Exército envolvidos na ação que matou músico

10/04/2019 às 16:37. Comente esta notícia!

A juíza Mariana Campos, da 1ª auditoria da Justiça Militar, decidiu pela conversão da prisão temporária em preventiva de 9 dos 10 militares presos por participação na morte de Evaldo da Silva. Durante ação do Exército, no domingo (7), foram dados mais de 80 tiros no carro da família de Evaldo em Guadalupe, na Zona Norte.

Outras duas pessoas ficaram feridas na ação: o sogro dele, Sérgio Gonçalves, e um homem que passava e tentou ajudar. Segundo investigadores, “tudo indica” que os militares confundiram o veículos com o de assaltantes.

O único que terá liberdade provisória será o soldado Leonardo Delfino – o único que, segundo os depoimentos, não atirou. Segundo ela, houve descumprimento das regras militares como define o código militar.

O Ministério Público Militar defendeu a prisão de nove dos réus. Nos depoimentos, os nove militares admitiram ter atirado contra o veículo onde estava Evaldo e sua família.

Já o defensor dos militares defendeu a liberdade de todos os suspeitos. O advogado disse que não há perturbação da ordem por isso não justifica a prisão.

CONTINUAM PRESOS:

  1. Tenente Ítalo da Silva Nunes Romualdo,
  2. Sargento Fábio Henrique Souza Braz da Silva
  3. Soldado Gabriel Honorato
  4. Soldado Matheus Santanna Claudino
  5. Soldado Marlon Conceicao da Silva
  6. Soldado João Lucas Goncalo
  7. Soldado Leonardo Oliveira de Souza
  8. Soldado Gabriel da Silva Barros Lins
  9. Soldado Vitor Borges de Oliveira

ENTERRO SOB PROCESSOS:

Pela manhã, Evaldo foi enterrado e a cerimônia acabou com um protesto em frente a Vila Militar. Bandeiras do Brasil foram pintadas com tinta vermelha, simulando sangue.

Carro fuzilado pelo Exército em Guadalupe, Rio — Foto: Fábio Teixeira/AP

Carlos Sampaio, assistente social, amigo de Evaldo Rosa dos Santos, morto após ter tido o carro fuzilado pelo Exército em Guadalupe, na Zona Norte do Rio, explicou o porquê da bandeira cheia de tiros e marcas de sangue que foi usada várias vezes durante o enterro ser enterrada junto com Evaldo:

“Essa bandeira simboliza um tiro na democracia, um tiro no nosso direito de ir e vir. Um tiro na nossa cidadania, na nossa liberdade. Nós não sabemos se poderemos continuar nas ruas onde estamos acostumados a andar. Certeza que, se esse carro estivesse passando na Avenida Ayrton Senna, na Avenida Vieira Souto, na Avenida Lúcio Costa, não seria alvejado com essa quantidade enorme de tiros. O Manduca morreu porque estava na Estrada do Camboatá”.

Músico Evaldo dos Santos Rosa é enterrado no Rio — Foto: Henrique Coelho/G1

“O governo do Estado não se manifestou, o governo federal não se manifestou e queremos saber o que eles têm a dizer”, disse Carlos Sampaio — Foto: Henrique Coelho/G1

Via G1