Implantação do Ligeirão Norte-Sul reacende debate sobre retorno na Praça do Japão

16/01/2018 às 08:20.

Ippuc alega que não serão realizadas alterações viárias no local. Representante diz que moradores locais não foram informados e promete mobilização se linha for implantada

Praça do Japão. Foto: Fábio Alexandre

O acordo entre a prefeitura de Curitiba e as empresas do transporte coletivo vai permitir que finalmente seja implantado o Ligeirão Norte-Sul, sete anos após o início das obras de desalinhamento das estações-tubo. O prefeito Rafael Greca (PMN) prometeu que a linha estará em funcionamento até o fim de março de 2018.

Como esta primeira etapa do projeto não prevê a operação até terminais do Sul da cidade, porque as estações até lá ainda não foram desalinhadas, o ônibus deverá fazer o retorno na Praça do Japão, o que reacende uma discussão de 2013, quando moradores da região do Batel fizeram um abaixo assinado com cerca de 17 mil subscrições contrárias ao contorno do ônibus na praça.

Acef Said, presidente do Conselho Comunitário de Segurança do Batel, conta que os moradores da região estão sendo pegos de surpresa pela informação. E que, se o projeto for implantado, a comunidade vai se mobilizar novamente.

Naquele ano, a Câmara Municipal chegou a realizar uma audiência pública para discutir a questão. No encontro, o então presidente da Urbs, Roberto Gregório, anunciou que a praça não sofreria mais as intervenções previstas para viabilizar o retorno do Ligeirão.

Procurado pela Gazeta do Povo, o Instituto de Pesquisa Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc) informa que o Ligeirão será implantando sem que sejam feitas alterações viárias na praça. A posição é a mesma externada pelo secretário do governo municipal e presidente interino do Ippuc, Luiz Fernando Jamur, que tem insistido que não serão realizadas mudanças no trânsito do local, e que a estrutura a ser utilizada nesta primeira etapa de ativação da linha será a que já está em uso atualmente.

O projeto de 2013, que segundo o Ippuc não foi alterado, previa a parada do ônibus na estação tubo Bento Viana (sentido bairro), o contorno do Ligeirão por uma faixa que corta o trecho final da praça e a volta pela Avenida Sete de Setembro, parando na estação Bento Viana (sentido Centro).

Medo de alterações

Na época, os moradores temiam que a obra para adaptar as vias no entorno da praça para que o ônibus pudesse fazer a volta desfigurassem o espaço público. O temor permanece e a comunidade diz que está sendo pega de surpresa por, segundo informa, não ter sido comunicada pela prefeitura sobre a retomada do projeto.

“Hoje procurei o vice-prefeito a respeito e ainda não tive retorno”, avisa Said. “Queremos acreditar que isso não seja verdade, até porque foi compromisso de campanha do Greca de que isso não aconteceria”, diz.

De acordo com informações da prefeitura, permanece a expectativa de que a linha esteja em funcionamento até o fim de março, mês de aniversário da cidade. Ainda dentro desse prazo, o município deve receber 25 novos ônibus; deste  total, alguns biarticulados estarão a serviço da linha.

Em conversa com a Gazeta do Povo em dezembro do ano passado, Greca comemorou o acordo feito com as empresas de transporte coletivo que permite a compra de novos ônibus e a implantação da linha Ligeirão Norte-Sul.

A toque de caixa, não

Said afirma que a comunidade não foi consultada, desta vez, sobre o trajeto a ser feito pelo ônibus, que deve fazer contorno na Praça do Japão. E que se de fato a linha for implantada, ainda que provisoriamente, a comunidade vai se mobilizar mais uma vez.

“A prefeitura tem que seguir as medidas legais”, defende. “Tem que ser realizadas audiências públicas, discutir com a comunidade, tem que ser feito estudo de impacto ambiental, de impacto de vizinhança, depois isso precisa ainda ser encaminhado à Câmara Municipal. A coisa não é a toque de caixa”.

Said lembra que a Praça do Japão é um dos pontos turísticos da cidade, e que em 2018 se comemoram 110 anos de imigração japonesa no Brasil. “É esse o presente que o prefeito quer dar para a colônia japonesa?”, questiona.

Via: Tribuna do Paraná