Greve dos professores municipais de Curitiba não tem previsão para acabar

23/03/2017 às 08:31.

Nova assembleia decidiu manter a paralisação por tempo indeterminado. Segundo sindicato, prefeitura não oferece barganha.

Professores municipais seguem tentando negociar com a prefeitura, sem sucesso | Henry Milleo/Gazeta
Foto: Henry Milleo/Gazeta Do Povo
Os professores da rede municipal de Curitiba decidiram em assembleia nesta quarta-feira (22) continuar por tempo indeterminado com a greve. A decisão foi tomada após uma tentativa de reunião entre o sindicato que responde pela categoria (Sismmac) com o prefeito Rafael Greca (PMN) e representantes da Secretaria Municipal de Educação. Como o encontro não aconteceu, eles votaram por manter a paralisação. A greve teve início no último dia 15, foi suspensa por dois dias depois, mas acabou sendo retomada na terça-feira (21).

O Sismmac alega que, desde o início da greve, a prefeitura não se apresentou para tentar negociar a situação, trazendo apenas comunicados sobre a impossibilidade de atender as pautas. Por meio de sua assessoria de imprensa, o sindicato afirma que somente superintendentes e pessoas sem poder de barganha participaram da última reunião, realizada na terça-feira. Segundo ele, não foi uma mesa de negociação, mas uma “mesa informativa” na qual o poder público apenas apresentou o quadro financeiro do município.

Já a Secretaria Municipal de Educação diz que as propostas só podem ser feitas dentro da realidade financeira da cidade e que, por isso, não há como apresentar uma data para a implantação do plano de carreira, considerada a principal reivindicação dos professores municipais. Além disso, a categoria pede novas contratações e melhores condições de trabalho. Para a prefeitura, o atendimento dessas demandas depende da implementação das medidas de ajuste fiscal que serão encaminhadas à Câmara Municipal nos próximos dias.

Outra questão levantada pelos professores foi a proposta do prefeito de fazer uma pequena “reforma da Previdência” em âmbito municipal. Revelada no início da semana, a ideia sugere a criação de um fundo de pensão para os servidores e a adoção de um aumento progressivo na alíquota de contribuição para recompor as finanças do município. De acordo com o Sismmac, embora essa mudança não tenha motivado a greve, “certamente a intensificou”. Tanto que a paralisação retornou na terça-feira após ter sido suspensa na última sexta.

Por volta das 16h desta quarta-feira, 47 das 185 escolas municipais de Curitiba estavam fechadas, enquanto outras 24 atendiam parcialmente a população. As outras 114 operavam normalmente, de acordo com o balanço da secretaria.

Próximos passos

De acordo com o Sismmac, algumas atividades estão agendadas dentro do calendário de greve. Na manhã desta quinta (23), os professores vão realizar um ato em frente à Câmara Municipal para pressionar os vereadores a votarem contra o “pacote de maldades” que o prefeito deve encaminhar em breve. Além disso, eles vão realizar mutirões nas escolas para explicar aos pais as razões da paralisação.

Uma nova assembleia deve ser realizada somente na próxima sexta-feira. O sindicato informou ainda que protocolou um novo pedido de reunião para tentar avançar nas negociações, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.