Família perde guarda de bebê sequestrado em hospital público

09/11/2017 às 08:40.

Criança ficou cinco meses com pais biológicos, mas foi para abrigo por causa de ‘vulnerabilidade’; família mora em invasão na Estrutural. Sequestradora é estudante de enfermagem e não ficou presa, ela cumpre pena ‘alternativa’.

 Bebê sequestrado no Hran na volta ao hospital (Foto: Matheus Oliveira / Agência Saúde-DF)

Bebê sequestrado no Hran na volta ao hospital (Foto: Matheus Oliveira / Agência Saúde-DF)

Os pais biológicos do bebê sequestrado de dentro de um hospital pública de Brasília em junho deste ano perderam nesta terça-feira (7), por determinação judicial, a guarda da criança. Relatório do Conselho Tutelar e da Vara da Infância aponta que a família, que mora em uma área invadida em uma das regiões mais pobres da capital do país, vive em situação de vulnerabilidade. A avó paterna demonstrou interesse em ficar com o menino.

Os pais dele seguem desempregados. Desde o sequestro a família é acompanhada por órgãos públicos. Neste período, o menino teria sido hospitalizado por receber alimentação inadequada à idade dele e teve contato com usuários de drogas. O pai chegou a ser contratado, mas foi demitido após faltar por mais de um mês sem justificativa.

Em nota, a Vara da Infância disse ao G1 que o bebê “se encontrava em situação de violação de direitos”. O órgão vai marcar uma audiência para apresentar um plano que viabilize a proteção integral do menino. O garoto, atualmente com cinco meses, está em um abrigo em Taguatinga.

“Assim, na audiência de apresentação, quando estarão presentes juiz, promotor, técnicos da entidade, servidores responsáveis pela área de acolhimento da VIJ-DF, o PIA pode ser homologado e a situação da criança já pode ser definida, com deferimento de guarda, retorno à família biológica ou cadastro da adoção.”

O Conselho Tutelar informou que a prioridade é “sempre” a família. A avó paterna da criança mora junto com os pais do bebê e também está desempregada. O prazo para reintegração familiar é de seis meses.

Sequestro

O bebê foi levado do Hospital Regional da Asa Norte com 12 dias. O sequestro aconteceu em meio a um “dia de beleza” no hospital, enquanto as pacientes recebiam serviços de manicure, cabeleireira e maquiagem.

A mãe, de 19 anos – que agora perdeu a guarda – esperava em uma fila no corredor, próximo ao quarto quando a criança foi levada por uma mulher que entrou no hospital sem ser percebida pela segurança. Foi uma parente da sequestradora quem a denunciou à polícia.

A acusada, uma estudante de enfermagem de 25 anos que chegou a ser presa pela polícia, havia dito ao marido que estava grávida e, por isso, levou o bebê para casa. Ela levou o bebê em uma sacola preta. A criança foi resgatada um dia depois do sequestro e devolvida para a família biológica.

Reencontro

O menino nasceu com 3,850 kg e perdeu 470 g até o dia em que foi liberado para voltar para casa. Ele foi amamentado pela mãe assim que os dois se reencontraram, em 7 de junho.

“Ele chegou chorando e aí eu peguei ele e ele parou de chorar”, declarou a jovem. A frase foi uma das poucas que a mãe conseguiu falar depois de receber o bebê de volta. Os pais receberam várias doações após a repercussão do caso.

Punição

A 8ª Vara Criminal de Brasília condenou a estudante de enfermagem Gesianna Alencar, de 25 anos, a 2 anos de reclusão e 10 dias-multa pelo sequestro do bebê. Pela duração curta da pena, a Vara de Execução Penal (VEP) determine duas punições alternativas à ré, como, por exemplo, prestação de serviços comunitários ou doação de cestas básicas.

A condenação é definitiva, porque o MP e a defesa da ré abriram mão do recurso – procedimento incomum para um julgamento em primeira instância. Com isso, o processo transitou em julgado e deve ser encaminhado para execução já na próxima semana.

O bebê foi levado da maternidade em uma sacola preta. Em seguida, a suspeita, se passando por uma amiga, teria enviado mensagens de texto do próprio celular ao marido e a familiares, comunicando o suposto nascimento do filho. A mulher ainda permaneceu cerca de cinco horas circulando pela maternidade, de acordo com as investigações.

Via: G1