Falta de dinheiro faz Fazenda Modelo suspender atendimento a cães e gatos

26/10/2018 às 10:15. Comente esta notícia!

A crise financeira que afeta a Prefeitura do Rio chegou à Fazenda Modelo, em Santa Cruz, na Zona Oeste, onde estão abrigados 790 cães e gatos abandonados. Por conta de atrasos de pagamentos, que já duram três meses, e ainda da falta de medicamentos para os animais, veterinários, atendentes e funcionários encarregados da limpeza cruzaram os braços. O problema atingiu em cheio os bichanos e cachorros, que tiveram suspensos atendimentos clínicos, castrações e até cirurgias de emergência.

No total, trabalham na unidade 61 profissionais. A dívida do município com os salários em atraso e insumos para os animais já chega a mais de R$ 900 mil. A falta de dinheiro também já causa dificuldades para a alimentação dos bichos. A Fazenda Modelo é a principal estrutura da Subsecretaria de Bem Estar Animal ( Subem), que é vinculada à Casa Civil . O problema, que já dura pelo menos uma semana, foi constatado em uma vistoria feita, na última terça-feira, pelo vereador Luiz Carlos Ramos Filho, presidente da Comissão de Defesa dos Animais da Câmara de Vereadores do Rio.

— O atendimento clínico foi cancelado, as castrações foram canceladas e as cirurgias de emergências também. Eu peço encarecidamente que as pessoas que se preocupam com os animais doem ração e entreguem direto lá na Fazenda Modelo. Ou liguem para Subem, no telefone 2976-2932 — disse o o vereador

De acordo com a Comissão de Defesa dos Animais, só para os 390 cães que estão no abrigo são necessários 120 quilos de ração por dia. Procurado através de sua assessoria, o subsecretário Roberto de Paula admitiu o problema e pediu a colaboração da população com a doação de medicamentos para os animais.

— Inclusive seria bastante interessante que a população possa doar ração e medicamentos pra lá. Até mesmo em razão da dificuldade que a Prefeitura vem enfrentando no que diz respeito a verbas — disse o subsecretário.

Não é a primeira vez que a Fazenda Modelo é alvo de uma polêmica. Em janeiro último, o local chegou a ser interditado, mas voltou a funcionar em junho, após uma inspeção feita pela Delegacia de Proteção ao meio Ambiente (DPMA).

Na ocasião, acompanhada de um veterinário perito do Instituto de Criminalistica Carlos Éboli e de representantes do Ministério Público do Rio de Janeiro, a DPMA considerou o lugar apto para o funcionamento.

A penúria dos cofres públicos municipais, que afeta cães e gatos, não se resume apenas à Fazenda Botafogo. Segundo a Comissão de Defesa dos Animais, a falta de dinheiro também já provocou o fechamento de sete postos de castração que funcionavam no município.

Sobre a falta de verbas, a Subem informou que o subsecretário Roberto de Paula esteve reunido, nesta quarta-feira, com o secretário da Casa Civil, Paulo Messina, e o presidente da Comissão de Defesa dos Animais, Luiz Carlos Ramos, para tratar do assunto. Na ocasião, segundo a Subem, Messina prometeu ao parlamentar que as atividades serão retomadas até o próximo dia 30 e a situação será resolvida.

Já sobre os sete postos de castração fechados, a Subem alegou que o secretário já encontrou as unidades fechadas quando assumiu, no último dia 3 de agosto. As unidades funcionavam nos bairros de Campo Grande, Bangu, Coelho Neto, Vicente de Carvalho, Praça Seca, Largo do Machado e Centro. Ainda segundo a Subem, as atividades de todas as unidades também deverão ser retomadas em breve.