Excursão de escola pública é barrada em ‘shopping de elite’ em SP

21/03/2019 às 16:58. Comente esta notícia!

 

Cerca de 120 alunos vindos de comunidades carentes uma cidade do interior de São Paulo foram impedidos de entrar no shopping JK Iguatemi. Uma das organizadoras do passeio disse ter ouvido de uma funcionária que o ingresso dos estudantes não seria possível por se tratar de ‘um espaço de elite’.

A entrada foi permitida depois de muitas negociações. Os 120 alunos da escola rural de Guaratinguetá ganharam a viagem por causa do bom desempenho escolar. Eles saíram de ônibus e iriam visitar a exposição ‘Mickey 90 anos’, no shopping de luxo da capital paulista.  

“Nós ficamos cerca de vinte minutos tentando mediar a situação até que acionamos a Secretaria de Educação do município, que articulou com a organizadora da exposição a liberação da nossa entrada”, explicou ao G1 Jozeli Gonçalves, diretora da escola municipal Francisca Almeida.

A educadora conta que o grupo já estava com os ingressos em mãos e que chegaram duas horas mais cedo para o almoço. As professoras foram surpreendidas enquanto organizavam uma fila na porta do shopping. Foi aí que, segundo, ela uma das funcionárias informou que o local não poderia receber tamanha quantidade de alunos por se tratar de um ‘espaço de elite’.

“Nós fomos com crianças que nunca tinham ido a um shopping, que só viam fast food pela televisão. Era para ser um dia especial, mas esbarramos no preconceito. A funcionária pediu que fôssemos a uma lanchonete na esquina do shopping e ainda justificou que poderíamos ter problemas com a segurança do espaço porque o shopping era considerado de elite”, declarou Jozeli, “o que sentimos ali é que essa segregação que eles já enfrentam foi repetida”, encerrou.

 

 


Eles foram barrados, segundo uma funcionária, por ser um ‘espaço de elite’

 

O shopping JK Iguatemi informou por meio de nota que não compactua com a mulher, segundo o centro de compras, uma das colaboradoras da exposição. O JK salientou que “trabalha continuamente para que todos os clientes sempre se sintam acolhidos e bem-vindos”. A exposição é de responsabilidade da Orientavida, que classificou o ato como isolado e pontual. A empresa diz que a funcionária foi demitida.

Em 2014, o shopping JK Iguatemi fechou as portas por causa de um “rolé contra o racismo no JK Iguatemi”. Na época, o evento organizado pela Uneafro pedia o fim da opressão contra negros e pobres.

“Esse racismo se traveste cotidianamente a medida da necessidade do opressor. Nesse momento vivemos em São Paulo e em outros grandes centros mais uma das faces do racismo estrutural brasileiro: A reação dos Shoppings, da Polícia e agora da Justiça em relação a presença de “jovens funkeiros” nestes estabelecimentos”, diz o texto se referindo aos rolezinhos de jovens das periferias nos shoppings de São Paulo.

 

 

Fonte:  Hypeness