Ao Vivo

“Eu venci!”, desabafa atleta de Curitiba que passou 62 dias na UTI com covid-19

18/03/2021 às 08:21.

Kaique Barbanti sobrevive à covid-19. Foto: reprodução / Instagram.

Aos 27 anos, o fisiculturista de Curitiba Kaique Barbanti contrariou as estatísticas em relação a covid-19. Mesmo jovem, atleta e sem comorbidades, Kaique passou 62 dias internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e chegou a emagrecer quase 30 kgs no hospital.

Meses depois da alta, mas ainda em recuperação, Kaique resolveu contar sua história de superação nas redes sociais. Em sua conta no Instagram, ele espera inspirar quem está passando pela fase grave da covid-19 e testemunhar sua fé. “Deus existiu na minha vida nesse processo inteiro. Eu saí do hospital com a certeza de que existe algo depois dessa vida”, revelou o atleta em vídeo.

Nas últimas semanas, Kaique contou com detalhes sua trajetória de internação por causa do coronavírus. O fisiculturista foi diagnosticado com covid-19 na primeira quinzena de julho. “Eu resisti bem, passei a ficar de quarentena, 12 dias em casa. Mas no 13º dia meu quadro piorou muito, a saturação chegou a 77% e cheguei no hospital com 50% do pulmão comprometido”, revelou.

No dia 20 de julho, Kaique foi entubado e passou 6 dias na UTI até se recuperar do vírus. Todo o quadro da covid-19 no hospital durou aproximadamente 15 dias mas, um dia antes de receber alta e ir pra casa, o atleta foi diagnosticado com trombose no coração e pulmões — consequência da doença.

“A partir daí eu piorei muito. Fui entubado novamente só que desta vez o entubamento não funcionou. Então fui para a ‘última chance’ que os médicos falam, para a ECMO, quando o corpo fica ligado a uma máquina, um pulmão e um coração artificial. Todo meu sangue passava pela máquina, para eu ter uma sobrevida, uma chance de me recuperar. Um processo extremamente doloroso pra mim”, relembra.

Contrariando todas as expectativas médicas, depois de 20 dias com coração e pulmões artificiais, Kaique se recuperou. “Minha família chegou a se despedir de mim no hospital, porque não tinha mais nada a se fazer. Mas contrariando todas as regras, eu comecei a melhorar”.

Ao acordar, o atleta levou um susto. “Foi o momento mais assustador da minha vida. Estava 23 kg mais magro, eu tinha cateteres enfiados no meu corpo inteiro. Foi terrível, mas em nenhum segundo eu pensei porque comigo, porque eu. Acho que a única coisa que eu pensava é que era minha obrigação sobreviver. E eu venci!”.

A batalha depois da alta hospitalar

Após seis meses da alta, o atleta revela o quanto ainda segue batalhando para se recuperar de todas as sequelas da doença. “Uma coisa que a TV não mostra e que a gente não sabe até vivenciar. A covid-19, nesses casos graves, não acaba depois que você sai do hospital. Ela deixa uma série de sequelas motoras, cognitivas, psicológicas. eu ainda estou num processo de recuperação. Com 27 anos, eu tive que aprender tudo de novo, a falar, a andar, a comer, como se eu fosse um bebê”.

Para quem ainda teme em não levar a sério a pandemia, Kaique dá um recado. “Se cuidem, a gente nunca sabe. Essa doença é uma roleta russa, não brinquem com isso. Apesar de todo o sofrimento que causou a mim, a minha família, eu consegui sobreviver. Tem tantos outros que não conseguiram. Tenham fé, acreditem em alguma coisa”.

Via: Tribuna Do Paraná