“Eu fui estuprada pelo meu marido horas depois de dar à luz”, desabafa mãe

11/03/2020 às 08:40.

 

Natasha Saunders faz um relato emocionante sobre o tema que sofreu violência doméstica durante o casamento (Foto: Julian Nieman for Refuge)

Natasha Saunders, 31, passou por momentos desesperadores, quando estava casada com John Chesher, 45. Em entrevista ao site The Sun, ela, que tem três filhos, falou sobre os abusos que sofreu durante seu casamento com intuito de conscientizar a população sobre esse grande problema que afeta muitas mulheres.

“Quando dei à luz ao meu filho, que agora tem sete anos, assim que fiz os pontos, 24 horas depois, John me estuprou. Foi degradante e humilhante, pois percebi que meu corpo não valia nada para ele. Eu não conseguia sentar por semanas”, lembra Natasha. Ela conheceu seu ex-marido aos 18 anos, em 2006, no local onde trabalhava, em West Sussex, condado da Inglaterra.

Natasha diz que John começou a mandar uma série de mensagens para ela e em três meses eles se tornaram um casal e foram morar juntos. “Foi tudo muito rápido, mas toda vez que eu tinha minhas dúvidas, ele dizia ‘você sabe o quanto eu te amo e sou responsável”, relata a mãe. Ela ainda complementa que estava segura com a situação já que o ex-marido tinha um emprego como gerente, em um restaurante e estava “aparentemente” pronto para começar uma família.

No entanto, logo depois, John começou a mostrar sinais de insanidade. Um dia, Natasha tinha ido a uma festa e recebeu a ligação dele transtornado. “Ele me disse que tinha se drogado e estava desmaiado por minha culpa. Depois, falou que estava preso, porque tinha espancado alguém. Mas, nada disso era verdade”, afirma ela ao The Sun. Ele também a impedia de trabalhar, viajar com os amigos e familiares e ainda estava saindo com outras mulheres. Muitas das amigas de Natasha começaram a alertá-la sobre o comportamento perigoso de John, mas ela não via problema até então.

 

John Chesher foi condenado a 12 anos de prisão (Foto: Reprodução: The Sun/ Refuge)

Em 2008, Natasha ficou grávida de sua primeira filha. Foi quando os abusos começaram a aumentar. Ela relata que chegou a passar fome. “Tive intolerância à lactose até ter minha filha e ele fazia questão de comprar tudo no McDonald’s, seja um hambúrguer ou um milk-shake, pois sabia que eu não poderia comer”, afirma.

Enquanto estava grávida, Natasha conta que teve uma hemorragia e ele disse que só a levaria ao hospital depois de tomar banho. Ela esperou por uma hora e meia. Para ela, era difícil sair dessa situação. “Ele dizia ‘se você me deixar, eu vou levar as crianças para o carro e entrar em um lago e você terá que conviver com o fato de que a culpa é sua’. “Eu sabia que ele era capaz dessas coisas e isso me fez recuar. Eu precisava sair daquela situação, mas tinha que fazer isso com segurança”.

Durante o relacionamento de oito anos, Natasha diz que seu ex-marido começou a obrigá-la a fazer sexo diariamente, inclusive quando ela tinha acabado de dar à luz. Em 2014, Natasha decidiu ir embora e levou as crianças para ficar com a mãe em Hampshire (EUA).

No entanto, John voltou para lhe pedir perdão no aniversário de casamento e ela acabou cedendo. “No momento em que entrei pela porta, percebi que havia cometido um erro. Mas demorei cinco meses para ir atrás de uma instituição que ajuda mulheres vítimas de violência doméstica e depois da polícia. Essa instituição salvou minha vida, me lembrou que eu não estava sozinha e disse que todas as minhas preocupações eram válidas.”

Após a atitude de Natasha, John foi preso e condenado a 12 anos de prisão. Um tempo depois, ela conheceu seu atual marido Ben com quem teve mais um filho. “Quero lembrar as mulheres que tudo pode melhorar e você pode ter sucesso, mesmo depois de passar por uma experiência tão ruim”.

Cenário brasileiro

Em 2015, foi instituída a Lei do Feminicídio no Brasil. Dessa forma, os assassinatos de mulheres por violência doméstica e questões de gênero começaram a serem classificados como crimes hediondos.

No entanto, um levantamento do Monitor da Violência, uma parceria entre G1, Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP), mostrou que, em 2019, 1.314 mulheres foram mortas por motivação de gênero – uma a cada 7 horas, em média. Isso mostra um aumento de 7,3% nos casos de feminicídio no ano passado em comparação com o ano anterior.

Para ajudar as mulheres vítimas de violência doméstica, o Brasil possui algumas instituições especializadas no tema. Confira.

Via: Revista Crescer