Ao Vivo

Estresse no trabalho é considerado um tipo de doença mental pela OMS

15/07/2019 às 09:02.
estresse homem trabalho 1118 1400x800
Yuganov Konstantin/Shutterstock

As doenças mentais são frequentemente subestimadas pela sociedade. Mesmo quando suas consequências se tornam fatais, o estigma que as cerca ainda se encobre em frases banais e crenças populares que insistem em minimizar sua importância.

Diante do problema, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou uma declaração para alertar a população: após numerosos estudos especializados, foi reconhecida como uma doença o estresse relacionado ao trabalho, também conhecido como Síndrome de burnout, o esgotamento progressivo que fadiga o sistema nervoso.

A condição é um transtorno mental do tipo depressivo ou ansioso, que é causado pela sobrecarga de trabalho ou fatores relacionados à carreira.

De acordo com Tarik Jasarevic, porta-voz da OMS, a Síndrome de burnout sintetiza os fenômenos que surgem no local de trabalho e a definição não deve ser usada para experiências em outras áreas da vida. O termo e os detalhes sobre essa condição podem ser encontrados no glossário da Classificação Internacional de Doenças (CID).

Síndrome de burnout: diagnóstico

Beneficios de la dieta antiestres 1
kieferpix/iStock/thinkstock

Um caso de burnout só pode ser diagnosticado com segurança por um psiquiatra, mas pode ser detectado a tempo pelo paciente ou pessoas próximas se os seguintes sinais forem reconhecidos:

  • Cansaço crônico
  • Pessimismo
  • Taquicardia
  • Dores de cabeça ou enxaquecas diárias
  • Suor frio
  • Insônia
  • Febre
  • Distúrbios digestivos (constipação, vômitos ou diarreia)
  • Culpa por realizar atividades recreativas ou dedicar tempo ao lazer
Liam Burnett-Blue/unsplash

Contexto histórico

No Japão, o burnout foi reconhecido desde os anos 80 sob o termo Karoshi. No país oriental, foi explicado como o estresse nos escritórios que acabou levando à morte de pessoas devido à falta de descanso adequado ou a crises trabalhistas que culminaram em suicídio.

Um caso recente de Karoshi prejudicou as leis trabalhistas japonesas, já que em 2016 a jovem Matsuri Takahashi – de 24 anos – se suicidou devido ao fracasso de um projeto publicitário no qual ela trabalhava mais de 159 horas extras.

A agência Dentsu, onde trabalhava, reconheceu a exploração da profissional e lamentou sua morte na mídia. Apesar disso, os executivos só tiveram que pagar uma multa de 481 mil 938 ienes (cerca de 4 mil dólares) por meio de uma sanção civil. A sociedade japonesa ficou chocada com uma pena tão pequena para “compensar” uma negligência tão grave.

O burnout continua a ser minuciosamente estudado, mas a realidade é que, globalmente, as políticas empresariais são necessárias para ajudar a preservar a integridade do trabalhador. É necessário que a exploração pare de ser romantizada e que o abuso não seja mais visto como normal ou como “virtude de se comprometer com a empresa”.

Estresse no trabalho

  • Esses 5 sinais denunciam que você está com alto nível de estresse
  • Dicas valiosas de 1 minuto para espantar o estresse no trabalho
  • Estresse do trabalho não deve interferir na vida pessoal: como evitar

Matéria traduzida do original de VIX espanhol, do autor Carol Sandoval.

Via: Vix