Espera pela vacina da febre amarela é grande nas unidades de saúde de Curitiba

18/01/2018 às 07:49.

Foto: Divulgação/SMCS

Não precisa haver pânico. Essa é a orientação da Secretaria Municipal da Saúde de Curitiba (SMS), que esclareceu que Curitiba e o litoral do Paraná não estão nas áreas de risco de recomendação para a vacinação contra a febre amarela. Em contrapartida, quem tem viagem programada para alguma das regiões afetadas deve procurar uma unidade de saúde.

Ao chegar à unidade de saúde, Jorge foi orientado que a espera duraria cerca de uma hora. Foto: Gerson Klaina

Ao chegar à unidade de saúde, Jorge foi orientado que a espera duraria cerca de uma hora. Foto: Gerson Klaina

Mesmo assim, a procura pela vacina em Curitiba tem sido grande. Em uma rápida passagem pela Unidade de Saúde Ouvidor Pardinho, referência quando o assunto é vacinação em Curitiba, além de ser uma das maiores unidades de saúde da cidade, a reportagem da Tribuna do Paraná observou que a espera tem demorado. “Cheguei, atualizei meu cadastro e peguei a senha. Mas fui orientado que demoraria um pouco mais de uma hora”, contou Jorge Fernando, 40 anos.

O homem, que costuma viajar sempre para o Rio de Janeiro, optou por se vacinar para prevenir qualquer problema futuro. “Nesse momento, é melhor prevenir. Mas também não vejo motivo para pânico”, comentou.

Antes de chegar à Ouvidor Pardinho, Elisangela passou por outras duas unidades de saúde à procura da vacina. Foto: Gerson Klaina

Antes de chegar à Ouvidor Pardinho, Elisangela passou por outras duas unidades de saúde à procura da vacina. Foto: Gerson Klaina

Além da demora, por conta da grande procura, Elisangela de Fátima Pinto, 44 anos, disse que passou por duas unidades de saúde antes de, finalmente, conseguir a vacina na Ouvidor Pardinho. “Fui a duas do Cajuru e, por lá, já tinha acabado. Por causa das notícias, as pessoas acabaram se desesperando, mas o que eu percebi, pelo menos onde recebi a vacina, é que a maioria das pessoas que busca pela aplicação é porque vai realmente viajar”.

Já vacinada, Elisangela, que tem uma viagem marcada para São Paulo, disse que a unidade estava cheia. “Eu esperei por uma hora. A senha ia até o 100 e recomeçava do 0. Bastante gente, mas o atendimento até que foi rápido”.

Quem deve tomar?

A infectologista Marion Burger explicou que as pessoas, de modo geral, não precisam se preocupar. “Estamos indicando, nesse momento, a proteção somente daquelas pessoas que sabem que vão para áreas rurais do interior do Paraná ou para essas mesmas regiões, em outros Estados. Sempre se preocupando em se proteger dez dias antes da viagem”. Além disso, quem já tomou, em algum momento da vida, a dose da vacina também não precisa mais se imunizar. “Antes tínhamos aquela orientação de que valia somente a cada 10 anos, mas agora isso já não vale mais. A vacina vale para a vida toda”, detalhou.

Marion garante que as pessoas, de modo geral, não precisam se preocupar. Foto: Geron Klaina

Marion garante que as pessoas, de modo geral, não precisam se preocupar. Foto: Geron Klaina

Além disso, é importante que as pessoas se programem e consultem as unidades de saúde mais próximas de casa, para saber os horários em que as vacinas estão sendo aplicadas. “Isso porque em algumas regiões o movimento não é tão grande e toda vez que é aberto um frasco da vacina, ele atende a seis doses. Se essas vacinas não são dadas em seis horas, o material tem que ser descartado, então procuramos evitar o desperdício”, explicou.

De acordo a médica, que pertence ao Centro de Epidemiologia da SMS, o alivio para os curitibanos pode ser ainda maior: desde 1980 nenhum caso de febre amarela, que tenha sido contraído na cidade, foi registrado. No Paraná, o único registro de contágio da febre amarela na própria cidade foi em Laranjal, no interior, em 2008. “Isso significa que estamos numa situação muito confortável na cidade. Os únicos registros que tivemos por aqui foram de pessoas que viajaram”.

Contraindicação e dicas

A médica reforçou que a vacina não é indicada para crianças menores de seis meses, idosos acima dos 60 anos, gestantes, mulheres que amamentam crianças de até seis meses, pacientes em tratamento de câncer e pessoas imunodeprimidas. “Caso alguma dessas pessoas realmente precise da vacina, é necessária a autorização, ou seja, uma receita de um médico pedindo a vacina para que o posto de saúde esteja autorizado a aplicar. De modo contrário, a vacina não vai ser aplicada”.

A SMS orientou também que as pessoas procurem uma unidade de saúde mais próxima e se informem, caso tenham alguma dúvida. “Até mesmo sobre quais documentos são necessários ou se essa pessoa está ou não na lista das que não é indicada a vacinação. Nos casos comuns, em que as pessoas não se enquadram na lista restrita, o necessário é somente o RG e a carteira de vacinação”.

Caso a pessoa viaje e na volta sinta algum efeito como febre alta (acima de 38°), dor forte no corpo, diarreia e vomito, é necessário procurar um médico. “E o mais importante: conte para o médico que você viajou e diga exatamente para onde foi. Isso pode ser primordial na suspeita da febre amarela”, alertou a infectologista, que pediu também que, caso veja um macaco morto, avise imediatamente a Secretaria de Saúde do município.

Via: Tribuna do Paraná