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Esgoto clandestino pode fazer ponto do Litoral virar permanente impróprio

08/02/2021 às 08:23.

Foto: Antonio More / Arquivo Gazeta do Povo.

Os constantes despejos irregulares de esgoto têm feito com que a região da Ponta da Pita, em Antonina, no Litoral do Estado, seja indicada como local impróprio para banho. Nesta sexta-feira (5), o Instituto Água e Terra (IAT) publicou o oitavo boletim de balneabilidade e o único local em que as águas apresentaram contaminação foi na Ponta da Pita.

Quem acompanha os boletins do IAT já deve ter reparado. A Ponta da Pita tem sido indicado como local impróprio pra banho já há algum tempo. De acordo com o histórico disponível no aplicativo Balneabilidade Estado do Paraná, a região tem apresentado péssimos resultados desde 2013.

Para que uma região seja considerada imprópria, ela passa por uma análise de laboratório que segue a Resolução 274 do Conama. “A gente utiliza como critério a quantidade de bactéria E.coli, ela é encontrada nas fezes humanas e de animais. É uma maneira de saber se aquele ponto tem esgoto ou não”, explica a bióloga do laboratório de microbiologia do IAT, Beatris Ern da Silveira.

A resolução determina que o limite de bactéria encontrada em cada local seja de no máximo 800 bactérias a cada 100 ml. Na Ponta da Pita, por exemplo, análises chegaram a revelar 10 mil bactérias por 100 ml de água. “Já faz muitos anos que esse ponto é impróprio. Estamos estudando para torná-lo permanente impróprio como os outros 10 pontos que existem no Litoral. São locais reconhecidos por serem muito sujos, com muita contaminação”, revela a bióloga.

Esgoto irregular: o grande vilão

Água imprópria para banho, no critério do IAT, tem a ver com a qualidade da água. Se ela estiver infectada, pode causas doenças, Cólera, gastroenterites, hepatites, doenças de pele. É uma análise feita em laboratório, que não tem como detectar visivelmente. “Nosso litoral, inclusive, não tem a água tão clara. Mas é um fator que acontece pelo tipo de solo, de ambiente, ele é um litoral diferente dos outros”, esclarece a especialista.

Na Ponta da Pita, a situação não tem apresentado melhora. “São sempre valores muito acima do permitido. Para que ele deixe de ser impróprio, o município deveria investir em saneamento, acabar com o despejo de esgoto irregular na região”.

R$ 80 milhões em engenharia para resolver um problema centenário

A Prefeitura de Antonina reconhece que a má qualidade da água na Ponta da Pita é consequência de um problema crônico de lançamentos clandestinos de esgoto. “A Prefeitura, no ano passado, disponibilizou à população uma consulta pública para a avaliação do Plano de Saneamento da cidade, que gerará recursos na ordem de R$ 80 milhões, vindos da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), para enfim sanar esse problema na cidade”, comenta a prefeitura, em nota.

A obra, de acordo com o município, será uma engenharia complexa, pois tratará de sistemas de escoamento em vias subterrâneas centenárias, além da área central de tratamento.

Pandemia “aliviou” despejos clandestinos

Infelizmente, o problema de lançamento irregular de esgoto não é exclusivo de Antonina. Outros locais do Litoral também apresentam esse mesmo problema. No entanto, por causa da menor quantidade de veranistas neste período de pandemia, consequentemente o lançamento de esgoto diminuiu.

Nesta temporada, por causa da menor quantidade de esgoto produzida, o Paraná tem apresentado apenas um ponto com contaminação dos 16 monitorados. “A gente sabe que tem essa situação da pandemia, que pode ter sido uma das possibilidades que fizeram com que a quantidade de pontos impróprios seja bem menor esse ano”, confirma a bióloga.