Escolas municipais de Curitiba foram assaltadas 505 vezes em 2017

10/08/2017 às 13:24.

Foto: Marcelo Andrade/Gazeta do Povo

Entre os meses de janeiro e agosto deste ano, a Secretaria Municipal de Educação registrou 505 furtos nas escolas municipais de Curitiba. Esse número representa um aumento de 39,5% em comparação com as ocorrências de 2016, quando foram computados 362 casos no mesmo período. Os casos de vandalismo também cresceram, saltando de 100 para 137. E, desse total, a Guarda Municipal fez apenas 26 apreensões.

O bairro Cajuru, na zona leste de Curitiba, exemplifica esse cotidiano. Na semana passada, o Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Conjunto Mercúrio e a Escola Municipal Irati foram alvo do furto de um televisor e de comida no mesmo dia.

No caso do CMEI, foi o segundo assalto em apenas três dias. Na noite do dia 30 de julho, criminosos levaram televisores, rádios, cobertores e parte dos brinquedos. Dois dias depois, a dispensa foi invadida e alimentos que seriam oferecidos para as crianças de 11 meses a 5 anos também foram roubados.

Na Escola Municipal Irati a situação não é muito diferente. Nos últimos meses, oito TVs foram roubadas — uma delas na semana passada, quando bandidos arrebentaram a parede com marretas e pavers. Nesta terça-feira (8), dois botijões de gás foram levados durante a madrugada.

Na tentativa de conter o avanço da violência, o marido de uma professora reforçou com concreto as grades das janelas. Mesmo assim, os bandidos quebraram a parede e voltaram a invadir a escola.

Outros bairros

Mas não é apenas no Cajuru. No Barreirinha, a Escola Municipal Julia Amaral Di Lenna lidera os índices de violência contra a educação na cidade: foram 27 casos de furto e vandalismo no acumulado 2016 e 2017, sendo 15 apenas nos primeiros meses desse ano. A escola também agiu por conta própria para tentar inibir a ação dos bandidos. Pais e professores arrecadaram dinheiro para a instalação de câmeras de segurança e, mesmo assim, uma TV foi roubada. As imagens foram encaminhadas para a Polícia Civil, que apura o caso.

No Santa Cândida, uma professora da Escola Municipal Augusto Cesar Sandino relatou que a instituição tentou, no ano passado, aumentar a integração com a comunidade para diminuir os números de roubos. “Fizemos diversas reuniões para chamar as pessoas para dentro da escola. Quando cheguei à instituição, havia pichações em todos os muros. A direção conseguiu ajustar isso, mas agora começaram a aparecer pichações novamente. Parece que a situação melhorou, mas é muito instável”, afirma.

No CMEI São José Operário, no bairro Alto Boqueirão, bandidos chegaram a roubar janelas, portas e parte da fiação elétrica. Além disso, eles ainda defecaram em alguns ambientes da escola e quebraram várias estruturas nos banheiros e salas de aula. A Guarda Municipal informou que equipes estão nesse CMEI 24 horas por dia para inibir a ação dos criminosos. No entanto, essa vigília vai ser mantida somente até a situação se normalizar.

Além disso, segundo a prefeitura de Curitiba, 40 escolas do município contam com reforço da Guarda durante o horário de aula, o que não é mais uma política recorrente do Executivo Municipal há pelo menos dez anos. Os focos de atenção são as unidades que apresentam dados perenes de violência. Ainda de acordo com a prefeitura, 20 guardas municipais patrulham os 185 centros de educação da cidade que estão espalhados em dez regionais – uma viatura por seção.

Professores

Para Viviane Bastos, diretora do Sindicato dos Servidores do Magistério Municipal de Curitiba (Sismmac), casos de vandalismo e arrombamento aumentaram depois da retirada dos guardas das escolas. “Existe uma demanda grande até mesmo da contratação desses guardas. Um levantamento da categoria mostra que Curitiba precisaria de cerca de 3 mil guardas municipais – atualmente, são 1.300. Isso leva um sentimento de insegurança por parte dos professores. Enquanto não houver política de prevenção, a violência toma conta como um todo”, explica.

Em nota, a Secretaria Municipal da Educação disse que vê com muita preocupação o crescimento das ocorrências nas unidades escolares. “Os gestores têm o suporte da equipe de logística, da SME, que auxilia em todas as providências necessárias para o restabelecimento das atividades no menor tempo possível. O setor também faz o acompanhamento junto à empresa de segurança G5, contratada para a reposição dos bens furtados quando necessário bem como reparos na estrutura física”.

Escolas mais atingidas por furto/vandalismo em 2017

Escola Municipal Júlia Amaral Di Lenna – 15 (ocorrências)

CMEI Pré Escola Vila Verde – 13

Escola Municipal Irati – 11

Escola Municipal Otto Bracarense Costa – 10

Escola Municipal CAIC Cândido Portinari – 10

CMEI Arnaldo Agenor Bertone – 9

UEI Tanira Regina Schmidt – 9

Escola Municipal Leonel de Moura Brizola – 8

CMEI Arnaldo Carnasciali – 7

EM Santa Águeda – 7

CMEI Jardim Aliança – 7

EM Lapa – 7

CMEI Trindade – 7

EM Dario P. Castro Vellozzo – 7

Evolução da violência

2016 – 462 casos – 362 furtos – 100 atos de vandalismo

2017 – 642 casos – 505 furtos – 137 atos de vandalismo

 

Fonte: Gazeta do Povo