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Eduarda e Eduardo | Doutor 98FM

24/02/2017 às 10:14.

Era o fim de uma semana em que tudo chegaria ao fim.

Eduarda estava cansada de tantas brigas, de tanto ciúme besta e agressividade. Eduardo, pelo contrário, simplesmente não cogitava qualquer possibilidade de separação.

Era noite de sábado e as pessoas próximas ao casal sabiam que aquilo não tinha como acabar bem.
Após mais uma tentativa de reconciliação seguida de mais uma violenta discussão, Eduardo subiu alucinado em sua moto de mil cilindradas, acelerando a 190 km/h na inacabável avenida João Bettega.

Inconsolável, ele estava convencido que já tinha provado sofrimento suficiente desta vida. Seu coração estava dilacerado. Sem Eduarda não havia mais direção ou sentido.

Resumindo o boletim de ocorrência, Eduardo achou que conseguiria atravessar a barreira do som, desmaterializar-se ou qualquer coisa assim. Tudo, claro, em nome do amor.

Infelizmente a cena final não foi tão romântica.

Na verdade, ele perdeu o controle do seu foguete e, ao invés de ir pra lua, acabou sofrendo uma queda impressionante, sendo prensado e arrastado por quase 50 metros pela própria moto.

Não me pergunte como ele chegou vivo aqui no hospital. Só sei que durante várias semanas ele lutou para salvar seu braço esquerdo, todo esmigalhado pelas ferragens da moto. No final das contas, a amputação cirúrgica era inevitável.

Na correria das emergências, a gente até esquece como são comuns as tragédias provocadas pelo amor incondicional e pela falta total de amor próprio.

Como diriam os neurologistas, a pior parte do cérebro é o coração.

Hoje Eduarda está feliz sem Eduardo.

Eduardo não. Ele sente falta do seu braço.

Ouça:

Dr Carlos Valério Andrade| CRM-PR 35.499

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