“Domingo à noite, ela teve um ataque de ansiedade. Segunda-feira desenhou isso na escola”, diz mãe

26/02/2019 às 08:23.

Mãe conta experiência com a filha e faz um alerta: ” Por favor, mantenha seus filhos longe dessas coisas”, referindo-se a internet

Criança de 7 anos faz um desenho de suicídio (Foto: Reprodução Facebook)

Poderia ser um simples desenho de criança, mas não é. Basta olhar de perto pra sentir um calafrio. Em vez de uma bonequinha com sorriso no rosto, árvores, flores e casinhas, a imagem é de uma criança triste, pendurada com uma corda no pescoço. Muitas vezes, os pais tentam poupar seus filhos desse tipo de assunto, mas a realidade está mais perto do que eles imaginam.

O desenho “macabro” foi feito por uma menina de apenas 7 anos. A mãe, que prefere não se identificar, decidiu que compartilhá-lo era o melhor a fazer. “Esta é uma coisa excepcionalmente difícil para eu postar. Eu pensei muito sobre isso. Decidi que é importante demais conscientizar outros pais. Isso não é para críticas. Eu só quero que todos os pais saibam o que observar…”, disse ela referindo-se a plataformas de compatilhamento de vídeos e redes sociais.

“Não importa o quanto você pense que está monitorando seu filho… notificações para o que seu filho está assistindo. Não importa. Minha filha de 7 anos de idade foi ensinada a tentar o suicídio por outras crianças na internet. Ela não expressou que se sentia negligenciada ou não amada. Em vez disso, ela foi constantemente aconselhada a ‘se matar’ por outros jogadores, por crianças na internet. Ela foi mostrada ‘como'”, lembra.

A mãe ainda relembra como descobriu. “Domingo à noite, ela teve um ataque de ansiedade. Eu a segurei e cantei para ela enquanto ela passava por isso. Segunda-feira, ela desenhou isso na escola. Este é um perigo muito real! Eu nunca pensei que iria me encontrar ajudando minha criança de 7 anos em um ataque de ansiedade”, admite.

Ela ainda faz um apelo: “Por favor, mantenha seus filhos longe dessas coisas. Estou tão feliz que minha filho foi capaz de expressar seus sentimentos antes que ela realmente tentasse se machucar. Eu nunca pensei que algo tão ‘inocente’ quanto vídeos de crianças na internet teria essas mensagens subliminares. Mais uma vez, estou apenas compartilhando nossa experiência na esperança de evitar que outra criança passe por isso”, finaliza.

Muito diálogo para aproximar e prevenir

Para Robert Paris, presidente do Centro de Valorização da Vida (CVV), a melhor maneira de previnir que as crianças cheguem a esse ponto, é fazendo uma alfabetização emocional.
“A alfabetização emocional nada mais é do que ensinar seu filho, desde pequeno, habilidades sócio-emocionais, a falar abertamente sobre seus sentimentos. A criança tem que aprender que ela pode se expressar. Ela tem que entender que sentir raiva, tristeza ou revolta é natural. O problema é o que você faz e a maneira como se comporta, quando é tomado por esses sentimentos. Quando os pais não fingem que o que a criança está sentindo não é real, eles a ajudam a desenvolver mecanismos internos para poder lidar com os sentimentos. As pessoas não se matam porque acontecem problemas na vida, mas porque não sabem lidar com eles. Por isso, pergunte sempre para a criança como ela se sente. Deixe que ela fale, que aprenda a dar nome aos sentimentos. Ensine-a a reconhecer que às vezes os sentimentos são desagradáveis, mas ainda assim, são legítimos”, explica.

Ainda segundo o especialista, crianças sempre dão sinais de que algo não vai bem. “Fique atento se a criança disser que quer desistir de alguma coisa, se fica irritadiça por um tempo prolongado. Uma mudança de hábitos alimentares, seja comer demais ou de menos, também é um alerta. Preste atenção também se seu filho evita certos lugares, se muda de amizades muitas vezes, se passa muito tempo trancada no quarto, imersa no computador, ou se só usa roupas compridas, com mangas longas”, alerta.

Via: Revista Crescer