‘Doei minha pele à minha irmã gêmea com câncer’

09/08/2017 às 15:25.

(Foto: Adolfo Chavez III)

As irmãs gêmeas americanas de 66 anos Marian e Mary Jane Fields, do Missouri, nos Estados Unidos, viveram juntas a vida inteira — e agora estão ainda mais próximas ao dividir a mesma pele.

Marian Fields teve um tipo agressivo e muito raro de câncer de pele que a deixou com feridas grandes e abertas em volta da coluna depois de várias operações e tratamentos com radiação.

Ela estava começando a perder as esperanças em uma possível recuperação após cirurgiões plásticos americanos se negarem a tratar seu caso por causa do tamanho da ferida.

Até que sua irmã gêmea Mary Jane chegou com a solução.

“Houve um momento de hesitação quando a opção de doar pele e tecidos se tornou uma possibilidade”, disse Mary Jane.

“Eu tinha o que ela precisava. Somos dois corpos com uma alma. Ela é minha outra metade”.

Jesse Selber, um cirurgião plástico do Centro de Câncer MD Anderson da Universidade do Texas, que fez o primeiro transplante de couro cabeludo da história, disse que a cirurgia foi “incrivelmente desafiadora e complexa”.

Sua equipe de cinco cirurgiões plásticos retirou pele, tecido e vasos sanguíneos do abdômen de Mary Jane e os colocou nas costas de Marian, conectando oito artérias diferentes e veias através de um microscópio durante a cirurgia.

(Foto: Adolfo Chavez III)

O buraco nas costas de Marian media 55 cm por 22 cm, o que faz da cirurgia o maior transplante de tecidos já registrado.

Ao doar pele à sua irmã, Mary Jane acabou realizando – ou ganhando, dependendo do ponto de vista – uma cirurgia plástica abdominal.

Ter uma gêmea idêntica facilitou o processo de transplante para Marian porque nenhuma supressão de seu sistema imune foi necessária – ainda assim os riscos eram imensos.

Os cirurgiões disseram que estavam preocupados com a possível rejeição da pele doada e do reaparecimento do câncer.

Apesar do tumor nas costas de Marian ser bem agressivo, não é um tipo que se espalha para outras partes do copo, então receber pele e tecido de sua irmã foi a solução perfeita.

Um mês após a cirurgia, as gêmeas foram liberadas, os pontos foram retirados e elas voltaram para casa.

“Eu não vejo a hora de voltar ao trabalho, dirigir, correr e sentar confortavelmente”.

“Eu nunca estive doente antes de 2012 e estou pronta para voltar à vida”.

Fonte: G1