Detentas de presídio em Bangu fazem uniformes de alunos da rede municipal

19/02/2019 às 11:31.

Uma equipe formada por 15 detentas do presídio Talavera Bruce, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, está ajudando a construir o futuro de crianças. Enquanto passam pelo processo de recuperação, as internas receberam a missão de fazer os uniformes de alunos das escolas municipais do Rio.

As presidiárias passaram por um curso de corte e costura e confeccionam os uniformes dentro de um galpão no presídio. “Nós fazemos fantasias, uniformes das guardas, de domésticas. Fazemos várias coisas.”, diz Kátia Simone Gandra de Carvalho, uma das presidiárias que já trabalha com o serviço há um ano.

Kátia Simone Gandra de Carvalho já costura há um ano — Foto: Reprodução/Bom Dia, Rio

Kátia Simone Gandra de Carvalho já costura há um ano — Foto: Reprodução/Bom Dia, Rio

Para a prefeitura, a ideia é ampliar cada vez mais a produção dos uniformes pelas detentas. “A gente, com certeza, vai ampliar isso para que, no futuro, até 100% dos uniformes dos alunos da rede municipal seja produzido na cidade do Rio pelas cooperativas comunitárias e pelas detentas que estão aqui”, afirma o subsecretário de Gestão da Secretaria Municipal de Educação.

A ressocialização destas mulheres dentro do presídio é o ponto principal da ação, como explica Paulo Horn, diretor de produção da Fundação Santa Cabrini. “Acho que, neste momento, a maior importância é dar a visibilidade nessa capacidade, nessa potencialidade de ressocialização das presas”.

Novo olhar sobre o futuro

A chance de aprender uma profissão enquanto cumprem pena desperta esperança em oportunidades fora do presídio. Uma das sete detentas que acabou de concluir o curso de costura, que dura quase dois meses, diz que esta é uma chance de novos rumos.

“Estou querendo muito trabalhar. Eu digo que eu sei, hoje eu sei costurar. É até mesmo uma oportunidade de vida, de eu sair daqui e eu posso procurar emprego porque agora eu sou costureira”.

Cristiane Silva acredita costurar o uniforme que o neto vai usar — Foto: Reprodução/Bom Dia, Rio

Cristiane Silva acredita costurar o uniforme que o neto vai usar — Foto: Reprodução/Bom Dia, Rio

Para Cristiane Silva Gomes, que também integra o time de costureiras do Talavera Bruce e confecciona o uniforme do neto que começa a estudar este ano, esta é uma oportunidade de ensinar ao pequeno, mesmo de longe, uma lição de vida.

“Eu até pensei, será que o Arthur vai vestir? Com certeza vai, e a gente fica orgulhosa. Eu quero mostrar isso pra ele um dia. Acho que vai ser importante eu mostrar esse lado: “eu errei, mas você tem a escolha de não errar e fazer diferente. Você tá tendo essa oportunidade. Estuda, estuda porque o caminho é esse. É a melhor coisa”.

Via: G1