Delegado da Grande Curitiba é preso por cobrança de propina

28/09/2017 às 14:36.

Foto: Gerson Klaina.

O delegado Nasser Salmen e dois estagiários da Delegacia de Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), foram presos numa operação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), nesta quinta-feira (28). A operação, que investiga o recebimento de propina, ainda cumpriu seis mandados de condução coercitiva (quando a pessoa é levada para depor) e dez de busca e apreensão.

Segundo o Gaeco, braço do Ministério Público do Paraná (MP-PR), as investigações envolvem os funcionários e policiais da Delegacia de Almirante Tamandaré. A ação do Gaeco começou depois de uma denúncia de que os policiais recebiam valores para que não agissem em um terreno em que acontece o tráfico de drogas. “Basicamente, fariam vista grossa e manteriam uma ‘boa convivência’, mas os valores não eram altos”, explicou o procurador de Justiça e coordenador do Gaeco, Leonir Batisti.

Além do valor que a delegacia teria recebido em troca da “vista grossa” para o tráfico de drogas, o Gaeco também encontrou problemas na questão dos alvarás. “No procedimento para que seja liberado o alvará, o sistema determina que a pessoa recolha um valor a partir de uma guia que deve ser paga em algum banco. Na delegacia, essa guia não era paga no banco, os policiais recebiam e ficavam com o dinheiro”, detalhou, explicando também que isso pode não ter sido pensando em ficar com o dinheiro, mas talvez por uma desorganização. “O que nós vamos apurar agora”.

Os mandados de prisão foram expedidos, em caráter temporário, pela 1ª Vara Criminal de Almirante Tamandaré, contra o ex-estagiário, que atuou como escrivão, e uma mulher, que ainda era estagiária da delegacia e também atuava na mesma função. O delegado da cidade também foi preso. Os três devem ser soltos em cinco dias.

As buscas e apreensões foram cumpridas em Curitiba e na RMC. O Gaeco informou que esteve em residências e em um cômodo específico da delegacia. “Na casa do ex-estagiário, apreendemos 39 celulares e munições. Ele disse que tudo isso era da delegacia. Agora, além de apurar os detalhes do que acontecia na delegacia, vamos investigar também o motivo de ele estar com todos estes aparelhos e as munições”.

Das conduções coercitivas, três envolvem policiais civis, mas o Gaeco não informou quais foram. Leonir Batisti reforçou que, embora as prisões sejam temporárias, as investigações vão poder fluir melhor a partir do que foi cumprido nesta quinta-feira.

Concussão

 

A Corregedoria Geral da Polícia Civil informou que acompanhou a operação e confirmou que todos os investigados são suspeitos de concussão (crime praticado por funcionário público, em que exige vantagem indevida). Paralelamente ao inquérito policial, deve ser aberto um procedimento administrativo disciplinar para apurar o fato.

Conforme a Polícia Civil, caso fique comprovado o que a denúncia apontou, os servidores ficam sujeitos a pena de demissão do cargo. A direção da Polícia Civil enfatizou que qualquer ato em desconformidade com as regras de conduta contidas nas leis e no estatuto da Polícia Civil será rigorosamente apurado pela instituição.

Fonte: Tribuna