Delegacias da mulher registram mais de 420 ocorrências nas capitais no 8 de março

10/03/2017 às 07:49.

Levantamento feito pelo G1 em 22 cidades e no DF contabiliza 422 boletins de ocorrência no Dia Internacional da Mulher de crimes que vão de injúria e ameaça a agressões e estupros.

São Paulo, Distrito Federal, Salvador e Cuiabá foram as cidades que tiveram mais casos: 52, 47, 45 e 34, respectivamente. Em São Paulo, o número pode ser maior, pois três das nove delegacias da mulher da capital se recusaram a passar os dados (2ª DDM Sul; 6ª DDM Campo Grande e 7ª DDM Leste).

Na capital paulista, só a delegacia da mulher localizada na região central emitiu 26 boletins de ocorrência na última quarta-feira – mais de uma ocorrência por hora. Em um dos casos, o agressor, um advogado que bateu na parceira, foi preso em flagrante e indiciado por ameaça, lesão corporal e violação de domicílio.

Nem todos os crimes registrados ocorreram no dia 8 de março, e o levantamento também não inclui casos que podem ter sido levados para delegacias comuns das cidades.

Subnotificação

Os responsáveis pelas delegacias da mulher ressaltaram que ainda há muitas vítimas de violência que não denunciam seus agressores por medo ou vergonha. Geralmente, os crimes são praticados por companheiros ou ex-companheiros, que ameaçam constantemente as mulheres e as famílias delas.

Segundo pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta, mais de 500 mulheres são vítimas de agressão física por hora no Brasil. E 52% das vítimas entrevistadas disseram não ter procurado a polícia após a agressão.

“Eu acho que a gente tem até muita notificação, mas mais de 50% das mulheres não denunciam. Com certeza deve ter ocorrido mais agressões. A mulher tem que procurar as autoridades para denunciar”, afirma a delegada titular da delegacia da mulher de Goiânia, Ana Elisa Martins. Na cidade, foram 12 registros de ocorrências no Dia da Mulher.

“A mulher vem conseguindo, ainda não na intensidade ideal, romper a barreira do medo e denunciar. A violência cresceu como um todo, mas é preciso considerar diferentemente, pois há casos em que a mulher sente seus direitos ameaçados e recorre à Justiça, e casos em que as vítimas sofriam repetidas agressões e só agora resolveram dar um basta. A luta é constante e isso é empoderamento”, diz a delegada Inalva Regina Moreira, do Departamento de Polícia da Mulher de Pernambuco, onde 58 mulheres foram assassinadas só nos primeiros dois meses do ano.

Via: G1