Dançarinas de Anitta falam sobre tabu: “No mundo da dança, eu nunca seria bailarina”

08/06/2017 às 19:40.

Anitta contribuiu amplamente para o aumento da representatividade gorda e quebra da “ditadura da magreza” ao incluir duas dançarinas gordas em seu time de bailarinas. Thaís Carla, de 25 anos, e Tatiana Lima, de 24, ambas do Rio de Janeiro, vão acompanhar a cantora em shows e cumprir um importante papel: o de mostrar que não é preciso ser magra para ser sensual.

As duas chegaram a trabalhar juntas antes, quando formaram uma dupla de dança e competiam em concursos, mas sofreram com as barreiras do preconceito.

Novas dançarinas plus size de Anitta

Thaís Carla: “Sou gostosa, maravilhosa e amada”

Thaís dança há 21 anos, desde os 4. “Comecei a dançar para emagrecer, sempre fui gordinha. Um tempo depois me apaixonei pelo jazz e pelo balé”, comenta.

Por conta do preconceito que sofria pelo seu corpo, foi difícil acreditar que sua paixão pela dança pudesse se transformar em profissão. Ela conta que considerava a modalidade apenas um hobbie e cogitava seguir outra carreira. “O mundo da dança me dizia que eu nunca seria bailarina. Nesse meio todo mundo é magrinho”, conta.

Na adolescência, a carioca conta ter sofrido muito devido ao preconceito e inseguranças que sentia em relação a seu corpo. Tudo mudou quando decidiu participar do quadro “Se Vira nos 30”, do Domingão do Faustão (TV Globo), aos 17 anos.

Ela dançou street dance, levantou a plateia, faturou R$ 15 mil e depois participou de diversos programas de TV pelo Brasil.

“Esse foi o momento de guinada da minha vida. Depois disso, eu percebi que poderia fazer o que quisesse e nada impediria de seguir meus sonhos”, diz Thaís.

O apoio incondicional da família nunca a deixou desistir. “Eles me perguntavam se eu realmente queria dançar e que teria que lutar, mas de algum jeito aconteceria”, conta.

Dance love 😍💃💃

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A bailarina, que tem uma filhinha de 7 meses, é uma verdadeira inspiração de autoestima e aceitação. “A minha visão é assim: eu sou a pessoa mais feliz do mundo com o meu corpo. Sou feliz, gostosa, maravilhosa, amada. E quando eu estou dançando sinto tudo isso ao mesmo tempo. A dança é meu codinome, eu vivo dela. E incentivo que outras mulheres aceitem seus corpos do jeito que eles são e corram atrás dos próprios sonhos”, encoraja.

Tatiana Lima: “Sabia que não vencia concursos por ser gorda”

Boa Noite #BalletAnitta #CaldeirãodoHuck #MundoPlus #Carioca

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Além de bailarina, Tatiana é professora de educação física, tatuadora e especialista em psicomotricidade, um tipo de tratamento para pessoas autistas.

A carioca dança desde os 13 anos de idade. Há alguns anos, quando ela e Thaís tinham um duo de dança chamado Faces, embora se saíssem muito bem nas competições de dança, sempre ouviam os mesmos absurdos.

“Nos festivais de dança sempre vinha o seguinte comentário: ‘Excelentes bailarinas, mas precisam emagrecer.’ A gente sabia que não ganhava o primeiro lugar por ser gordinha”, fala Tatiana.

Voltando as origens ♡ #Dança

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A superação e a coragem para seguir com os sonhos de dançar, mesmo em uma sociedade gordofóbica, aconteceu com o apoio de sua mãe e após o trabalho que exerceu como bailarina no projeto musical do circo do Marcos Frota.

“Quando entrei para Unicirco fui percebendo o meu potencial. Durante esses dois anos de contrato fui convidada para dançar na Disney com o Grupo de Dança da Universidade Castelo Branco,aonde fiz Faculdade”, conta, orgulhosa.

Tatiana acredita que pode ajudar na quebra de alguns paradigmas. “Acabar com o preconceito é um processo lento, mas a atitude da Anitta ajuda a acelerar este processo de consciência da população, de que todos nós somos capaz de fazer o que quisermos”, defende.

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Via:www.vix.com