Cybercondria | Doutor 98

30/03/2017 às 10:02.

Hoje, seis milhões de pessoas farão uso da internet para obter informações sobre a própria saúde. A cada segundo, umas 100 pessoas farão uso de seus teclados em busca de sinais, sintomas e tratamento para toda sorte de doenças.

Sim, a manutenção da saúde depende de informação. Em tese, quanto mais esclarecidos formos, mais saudáveis também seremos. Na prática, contudo, o que se vê é um aumento de pessoas convencidas de diagnósticos absurdos, sugeridos pelo Dr. Google. É o caso de uma senhora com uma severa anemia, resultado de uma mudança drástica em sua alimentação, oriunda da certeza ‘virtual’ de ter uma intolerância simultânea ao glúten e à lactose.

Com efeito, o autodiagnóstico tem conduzido à automedicação, com direito a drogas sem ação, dosagens equivocadas e o uso de terapias alternativas com base científica pra lá de duvidosa. Dou o exemplo de um paciente que chegou bem mal ao hospital, com falência renal causada por um ‘fitoterápico’ comprado online. Por fora, o rótulo trazia um inocente ‘Erva Medicinal’. Por dentro, um arsenal pesado contendo opióide, corticoide e anti-inflamatórios.

Talvez o maior pecado deste imenso consultório digital esteja no fato de que ele ‘globaliza’ as pessoas. Porém, o ser humano precisa ser individualizado em suas queixas. Cada qual tem a sua história médica, com sinais e sintomas que o diferenciam de qualquer outra indivíduo no planeta.

Mais que isso, todo paciente precisa ser ouvido e examinado.

Não por um computador, mas por pessoas de verdade.

Pense nisso. Até a próxima, se cuida!

Ouça:

Dr Carlos Valério Andrade| CRM-PR 35.499

Doutor 98 – De Seg a Sex ás 10hrs em 98,9fm ou ouça online