Curitibano cria robô que ajuda a salvar vida em Hospitais

04/02/2019 às 08:26. Comente esta notícia!

O analista de sistemas brasileiro é o criador do robô Laura, tecnologia implantada nos hospitais para ajudar a identificar riscos de sepse, doença causada por uma infecção que pode causar graves consequências para o organismo, inclusive a morte.

Para criá-lo, o curitibano Jacson Fressato foi inspirado por uma experiência pessoal, a partir da sua própria dor.

Em 2010, sua filha Laura nasceu prematura e ficou na UTI pré-natal por 18 dias, onde acabou morrendo em decorrência de sepse.

Esse período que passou no hospital serviu para ele ver que alguns dos problemas que causavam a doença poderiam ser evitados se fossem detectados antes.

Segundo Jacson, seu objetivo não é criar uma tecnologia para achar culpados pela morte de sua filha, e sim ajudar a evitar que outras pessoas acabem desenvolvendo a doença.

“Achar que o investimento virá do governo é balela. A maioria das pessoas se preocupa mais com o lucro do que em ajudar os outros”, afirma o empresário que vendeu os próprios bens, como sua casa e seu carro, para começar o negócio.

Mas ele encontrou apoio em Cristian Rocha, um especialista em inteligência artificial que estava procurando um projeto que trouxesse benefícios à sociedade.

“Nessas minhas pesquisas, encontrei a Laura e vi uma grande oportunidade de tangibilizar tudo aquilo que acredito que a inovação pode oferecer”, diz Rocha.

Como funciona

Captando informações dos pacientes a cada 3,8 segundos, o robô consegue determinar o risco deles desenvolverem ou não a sepse. Para isso, ele observa todos os pacientes que estão internados em um hospital — não apenas na UTI — chegando a salvar no mínimo uma pessoa por dia.

“O robô foi treinado para encontrar e prever riscos, aprendendo com os processos para saber qual é o tempo ideal para dar um alerta de que algo está errado”, explica Jacson. Dessa maneira, a Laura não dispara alertas a todo momento, já que isso faria com que os médicos começassem a ignorar os seus avisos.

Após o alerta, as equipes dos hospitais trabalham imediatamente, oferecendo tratamentos para evitar maiores complicações, que possam evoluir para uma transferência para as UTIs ou, até mesmo, a morte.

O robô já esta presente em hospitais como o Nossa Senhora das Graças, em Curitiba, e a Santa Casa da cidade paranaense Londrina. “Já fizemos o monitoramento de mais de 1,2 milhão de pacientes e conseguimos reduzir a mortalidade, por sepse grave, de 30% para 22%”, diz Cristian.

“Com essa melhora de processos e gestão de risco nos hospitais, também conseguimos reduzir o tempo médio de internação dos pacientes em quase 10%. Além de salvar vidas, a Laura também ajuda o hospital na redução de custos.”

Assista o depoimento dele no TED:

Com informações da Galileu