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Curitiba se transformou na cidade dos acumuladores de animais

19/04/2017 às 08:18.

Pesquisa inédita da médica veterinária Graziela Ribeiro da Cunha mostra o perfil e os riscos causados por quem mantém vários animais no mesmo espaço

Só uma mulher identificada na pesquisa mantinha 105 cachorros em um espaço de 50 metros quadrados. | Brunno Covello

Só uma mulher identificada na pesquisa mantinha 105 cachorros em um espaço de 50 metros  quadrados.  Foto: Brunno Covello

Não muito longe dos programas de televisão, toda cidade tem acumuladores de todos os tipos. Em Curitiba, um estudo inédito feito pela médica veterinária Graziela Ribeiro da Cunha para o doutorado da Universidade Federal do Paraná (UFPR), mostra que entre setembro de 2013 e abril de 2015 foram identificados 113 casos de acumuladores, conforme denúncias às secretarias municipais do Meio Ambiente, Saúde e Assistência Social. Desses, 65 acumulam só animais – em sua maioria, senhoras idosas, de baixa renda e com pouca escolaridade. Com o levantamento, Curitiba passa a ser a primeira cidade brasileira a conhecer e a monitorar os acumuladores de bichos na busca por políticas públicas para resolver os problemas causados pela prática.

Na maioria dos casos, o animais são acumulados em pequenos espaços, com a pessoa acreditando estar fazendo o bem, quando, na verdade, geram risco de doenças e sofrimento para si, para os vizinhos e para os próprios animais. De acordo com Graziela, a principal característica dos acumuladores de animais é a pouca percepção da realidade à sua volta enquanto mantêm uma grande quantidade de animais sem as devidas condições de higiene e alimentação. Em um dos casos verificados pela pesquisadora, uma mulher chegou a manter 105 cachorros em um imóvel de 50 metros quadrados. “Os acumuladores de animais acham que estão fazendo o bem, não reconhecem o comportamento como uma falha”, enfatiza a médica veterinária.

Além de ser prejudicial para a própria pessoa, já que a falta de higiene e tratamento dos animais pode provocar pragas como ratos e baratas na vizinhança, a prática pode fazer mal aos próprios animais. “O grande acúmulo de animais sem cuidado veterinário pode transformar os bichos em agentes de doenças. A falta de espaço pode fazer com que os animais disputem território, alimento, e até mesmo a atenção daquela pessoa. Muitas vezes eles estão melhores na rua do que naquele ambiente”, comparaa doutoranda.

A pessoa que acumula animais, de acordo com Graziela, acaba também por perder vínculos sociais. “A pessoa muitas vezes deixa de trabalhar, de receber visita e acaba se isolando”, explica.

A ideia é a partir do estudo criar um guia de atendimento para os acumuladores de animais, instruindo os servidores públicos sobre a melhor forma de ajudar aquela pessoa. “O guia deve mostrar as linhas de abordagem, já que esse é um transtorno que não tem cura, apenas tratamento”, afirma a doutoranda.

Via: Gazeta Do Povo