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Crochê feito por morador de rua de Curitiba é sucesso no bairro Hauer

13/03/2019 às 16:06.

 

Homem e morador de rua. O que você acha que o João Marcos Ribeiro dos Santos, 28 anos, faz para sobreviver? Guarda carros? Pede esmolas? Nada disso. O João sobrevive fazendo crochê, um trabalho mais bonito que o outro, que pode ser desde um simples tapete de banheiro até uma complexa cortina ou vestido. E ele está quase todos os dias em frente a uma loja de molduras e telas na Avenida Marechal Floriano Peixoto, no bairro Hauer, em Curitiba, na esquina com o terminal do Carmo, sonhando um dia ter sua própria loja de artesanatos.

O “João Crocheteiro”, como todos o conhecem, fugiu de casa aos 12 anos. Ele morava em São João Evangelista, no interior de Minas Gerais. Via muito o padrasto bater em sua mãe, Maria (a quem ele homenageia com uma tatuagem no braço). Um dia ele se revoltou e deu uma cadeirada  o padrasto, golpe tão forte que deixou o homem três meses sem andar. “Eu fui muito julgado por todos, por causa disto. E o pior é que minha mãe ainda o defendia”, lamentou.

Quatro meses depois deste episódio, a mãe de João morreu de câncer de útero (sim, ela apanhou mesmo estando doente). O adolescente se revoltou e saiu de casa. Saiu com poucas roupas e o ensinamento de como fazer crochê, que aprendeu com dois tios e duas tias. O garoto cruzou de norte a sul do Brasil e aprendeu muitos outros artesanatos, com os quais sobrevivia por onde passava, mas sempre morando na rua. “Nunca briguei, nem fui preso. Não tenho passagens pela polícia, não bebo e nunca usei drogas”, disse o rapaz que, por morar na rua, conheceu muita gente “errada”, mas nunca se envolveu com as coisas ruins.

“Eu saí de casa só com o básico do crochê, que aprendi dos meus tios. Na rua eu convivi com muito povo de cadeia. Mas deles eu aprendi a pegar só as coisas boas. Eles aprendem artesanatos na prisão e na rua eu pedia que me ensinassem. Fui treinando e aperfeiçoando. Hoje eu olho um gráfico, faço o que tem nele e no dia seguinte nem preciso olhar de volta, porque aprendo e faço sozinho. Mesmo que seja algo que eu nunca tenha feito, o cliente pode trazer que eu faço. E pode ter certeza que vai sair do gosto do cliente”, afirma o ex-morador de rua, que depois de ter sua foto divulgada por uma funcionária da Prefeitura de Curitiba no Facebook (na conta pessoal dela), sua vida mudou.

 

 

 

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