Crianças transformam brincadeira em negócio lucrativo com venda de ‘slimes’

31/01/2019 às 08:28. Comente esta notícia!

O “slime”, espécie de geleca artesanal, também conhecido como amoeba, virou moda entre crianças de diversas idades. Algumas delas foram além da brincadeira e enxergaram uma oportunidade para empreender. Em Macapá, a diversão virou negócio lucrativo. Rebeka Alvares, de 13 anos, por exemplo, produz o próprio slime e conta que já lucrou R$ 800 em apenas um dia.

No Youtube, os vídeos ensinando a brincadeira já contam com milhares de visualizações. O slime vêm atraindo muita gente com as receitas à base de cola não tóxica, que ganha cor com corantes alimentícios, glitter ou tinta guache.

Em apenas um ano de conta ativa no Instagram, Rebeka Alvares já possui mais de três mil seguidores. Sempre sob supervisão dos pais, ela vende para o país inteiro, com preços que variam entre R$ 15 e R$ 25 a unidade do produto.

A menina conta que recebeu até uma proposta de um comprador de Portugal, mas se recusou a fazer o envio pelos Correios com receio do produto ressecar e a venda ser convertida em marketing negativo.

“Eu comecei a fazer pra mim, minha amigas gostaram, as vendas cresceram, ai fiz um Instagram. Eu costumo enviar para o país inteiro. Só não vendo para o exterior por que não chega na qualidade que deveria”, explicou.

Com apenas 13 anos, Rebeka Alvares lucrou R$ 800 em apenas um dia — Foto: Rebeka Alvares/Divulgação

Com apenas 13 anos, Rebeka Alvares lucrou R$ 800 em apenas um dia — Foto: Rebeka Alvares/Divulgação

Outras crianças que também decidiram apostar nesse mercado foram as primas Juliana Queiros e Julia Lacerda, de nove e sete anos, respectivamente. Os pais relatam que ficaram surpresos ao verem a iniciativa delas, que criaram até promoções para atrair clientes e alavancar as vendas.

“Depois de ganhar um kit de fabricar slime no Natal, ela pegou uma caixa de papelão, montou uma mesa na frente de casa e começou a vender lá mesmo, a R$ 5 cada um. Como não vendeu nada no primeiro dia, ela já fez uma promoção de duas unidades por R$ 8 e em compras acima de R$ 10 os clientes ganhavam um pirulito. Não sei para quem essa menina puxou”, contou surpreso Marcel Queiros, pai de Juliana.

Queiros estabeleceu até mesmo horários para as vendas no período das férias. Junto com a prima, ela costuma atender os clientes das 10h às 12h e das 16h às 21h. Com o início do ano letivo, as vendas vão acontecer exclusivamente no período noturno.

Juliana Queiros e Julia Lacerda, de nove e sete anos, decidiram vender os slimes por conta própria — Foto: Marcel Queiros/Divulgação

Juliana Queiros e Julia Lacerda, de nove e sete anos, decidiram vender os slimes por conta própria — Foto: Marcel Queiros/Divulgação

Larissa Elita, de 12 anos, vende o produto desde abril do ano passado e adquiriu, até agora, mais de 530 seguidores no Instagram. Ela também tem um canal no youtube que dá dicas e ensina as técnicas de produção da massinha elástica para quem quiser seguir os passos.

“Eu resolvi fazer uma amoeba com cola de isopor depois de assistir um vídeo no youtube. No começo não deu muito certo, mas depois que lançaram os produtos aqui na cidade, o negócio começou a funcionar melhor. Uma amiga pediu para comprar um e de lá para cá fiz uma conta no Instagram e já estou vendendo até para outros estados”, falou, orgulhosa.

Larissa Elita, de 12 anos, vende o produto desde abril do ano passado e adquiriu mais de 530 seguidores em uma rede social — Foto: Larissa Elita/Divulgação

Larissa Elita, de 12 anos, vende o produto desde abril do ano passado e adquiriu mais de 530 seguidores em uma rede social — Foto: Larissa Elita/Divulgação

A empresária Carla Mafisa, que produz geleca com sua filha Safira Araújo, de 13 anos, quando não está trabalhando na papelaria em que é proprietária, destaca a facilidade na produção.

“Para fabricar o slime, o método é semelhante a uma receita culinária. São várias combinações possíveis, dependendo dos ingredientes. A diversão está aí, crianças podem criar o que bem quiserem”, explica Carla.

“Mais do que diversão, o slime é um sonho realizado. Quando minha filha disse que queria aprender a produzir um, eu fui atrás dos produtos. Começamos a vender aqui na papelaria e hoje fazemos ‘encontrinhos’ mensais ensinando crianças a produzirem seus slimes com os produtos adequados, sem pôr a saúde delas em risco”, acrescentou.

Carla diz que atende cerca de 20 crianças por dia que procuram os kits para a produção da geleca colorida. Os preços variam de R$ 35 a R$ 80 e há inúmeras combinações possíveis. Ela ainda ressalta que o slime contribuiu positivamente para a relação dela com a filha.

“Hoje, enquanto eu fabrico slime com ela, nos divertimos e passamos um tempo de qualidade juntas. Ela sai do celular, sai do Instagram e não quer nem saber de Netflix”, destacou.

Carla Mafisa diz que brincadeira a fez se aproximar mais da filha — Foto: Ugor Feio/G1

Carla Mafisa diz que brincadeira a fez se aproximar mais da filha — Foto: Ugor Feio/G1