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Crianças são atendidas nos corredores de Hospital Infantil lotado

28/03/2019 às 08:17.

O Hospital Infantil de Vila Velha, no Espírito Santo, ficou lotado nesta terça-feira (26). Durante à noite, muitas crianças que tinham chegado pela manhã ainda esperavam por um atendimento. Pais flagraram os corredores lotados e bebês deitados em cadeiras.

A cabeleireira Vilma Moura passou o dia todo esperando atendimento para a neta de cinco anos. A menina só foi atendida por volta das 21h30.

Crianças são atendidas nos corredores de Hospital Infantil lotado em Vila Velha, ES

Crianças são atendidas nos corredores de Hospital Infantil lotado em Vila Velha, ES

“Eu cheguei 11 da manhã, eu vim de Arlindo Villaschi com a criança de cinco anos com 40 graus de febre, fiquei aqui esperando e nada. Eu tive que invadir a porta, em ponto do guarda me empurrar, me machucar. Quando eu vi, ela estava tendo convulsão e eu invadi a porta. Fui até sem educação. Mas infelizmente a gente que é mãe e avó tem que passar por isso”, disse.

Dentro da unidade, crianças estavam internadas em cima de cadeiras pelo corredor do hospital. João Miguel, de sete meses, era um deles. A mãe ficou revoltada.

Crianças são atendidas nos corredores do Hospital Infantil lotado em Vila Velha — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Crianças são atendidas nos corredores do Hospital Infantil lotado em Vila Velha — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

“O meu filho está com suspeita de pneumonia e bactéria no sangue. Meu filho está lá dentro, na cadeira. Tem muita criança assim. Inclusive, tem uma nenenzinha de 30 dias que está sentada lá na cadeira desde cedo”, afirmou a dona de casa Ana Alice Vasconcelos.

Cansada de esperar, ela decidiu procurar outra unidade. “Saí porque não tem condições de ficar lá. Não tem como ficar ali, o menino passar a noite toda em uma cadeira”.

Mãe encontrou sujeira em hospital de Vila Velha — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Mãe encontrou sujeira em hospital de Vila Velha — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Uma outra mãe, que não quis ser identificada, falou que encontrou situações preocupantes. Na cama, encontrou uma agulha, que, segundo ela, foi deixada por enfermeiras. No armário de roupas, ela encontrou uma embalagem de lanche com alguns insetos.

Criança sendo atendida no corredor de Hospital Infantil de Vitória — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

Criança sendo atendida no corredor de Hospital Infantil de Vitória — Foto: Reprodução/ TV Gazeta

A filha estava internada no corredor do hospital. “Esqueceram agulha em cima da cama dela. Eu saí e quando voltei vi. Está sem medicação, porque perdeu a veia. Está toda furada porque não consegue pegar veia”.

Às 23h, a recepção estava lotada. Segundo os pais, o atendimento funcionou normalmente até o final da manhã, mas à tarde piorou.

Mãe sofre à espera de atendimento para o filho, em Vila Velha — Foto: Manoel Neto/ TV Gazeta

Mãe sofre à espera de atendimento para o filho, em Vila Velha — Foto: Manoel Neto/ TV Gazeta

Na manhã desta quarta-feira (27), a situação estava mais tranquila, mas ainda havia crianças que ainda não tinham sido atendidas. Jeane tem um filho internado e pela manhã desta quarta enfrentou problemas.

“Ontem à noite, eles não dão informação, não dão uma maca para você. Meu filho desmaiou e caiu no meio da rua, os pacientes que me ajudaram. Eu tive que quebrar para pegar o médico pela garganta para trazer. É pouco médico para muita criança”, falou.

A Secretaria de Estado da Saúde informou que todos os pacientes do Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba) estão sendo atendidos de acordo com a classificação de risco.

Segundo a secretaria, a unidade é referência para a região, sendo a única que tem um Pronto Socorro pediátrico, com atendimento 24 horas.

“Neste período de outono-inverno aumenta o número de pacientes devido a problemas respiratórios. A direção informa ainda que o Pronto Socorro conta com 68 leitos e que, quando necessário, é realizada a regulação dos pacientes”, disse em nota.

Maternidade

Não foi só o pronto socorro que tinha problemas no Hospital Infantil de Vila Velha. Na maternidade, mulheres grávidas relataram terem recebido alta, porque o local já estava cheio.

A dona de casa Érica Pereira está grávida de gêmeos. Ela estava passando mal e teve alta. “Não sinto mais a região da minha barriga, porque já esticou o que tinha que esticar. Eu sinto muita dor. Eles disseram que o neném está bem. Se tivesse acontecendo alguma coisa, quem sabe eles tirariam. Minha preocupação é deles morrerem”, falou.

Uma outra grávida, a Emilly, também esteve na mesma situação. Ela procurou atendimento pela segunda vez só na terça-feira e recebeu alta, mesmo passando mal.

“É a única que faz é mandar embora, faz avaliação e manda embora”, disse o marido dela, Lindoel Oliveira Alves.

Sindicato contesta serviço prestado na unidade

O Sindicato dos Trabalhadores de Saúde do Espírito Santo (Sindsaúde-ES) também denunciou a superlotação no Hospital Infantil de Vila Velha. Segundo o sindicato, além de atender pacientes no corredor, faltam macas na unidade e refeições estragadas vêm sendo distribuídas.

“O Sindsaúde-ES denuncia há tempos as péssimas condições no Heimaba e do tratamento desumano oferecido para a população capixaba. Exigimos que esta situação não se repita. O Heimaba é um hospital terceirizado e nos primeiros meses sob responsabilidade do Instituto de Gestão e Humanização (IGH) foi registrado o aumento de morte de pacientes, conforme já denunciado pelo sindicato”, disse Cynara Azevedo, da Secretaria de Condições de Trabalho do Sindsaúde-ES.

O G1 tentou contato por telefone com Instituto de Gestão e Humanização (IGH) através de números disponibilizados no site do órgão, mas as ligações não foram atendidas.

Emilly e o marido em maternidade de Vila Velha depois de receber alta — Foto: Manoel Neto/ TV Gazeta

Emilly e o marido em maternidade de Vila Velha depois de receber alta — Foto: Manoel Neto/ TV Gazeta

Via: G1