Crianças em tratamento de câncer fazem trote para alunos de Medicina

28/02/2019 às 08:42.

A profissão médica é repleta de desafios. Esses profissionais carregam a missão de salvar vidas e recuperar muitas outras. Para isso, preparam-se por vários anos entre os estudos na faculdade e as especializações.

O trabalho também exige humanidade, pois há um encontro constante com pacientes, muitas vezes doentes, que precisam não só de uma cura, mas de amparo.

Com esse objetivo em mente, a Associação Atlética Acadêmica Gaúchos de Passo Fundo (AAAGPF) em parceria com o Centro Oncológico Infantojuvenil do HSVP de Passo Fundo, deram início à terceira edição do “Trote do Bem”, evento que promove e incentiva a humanização dos futuros profissionais da área da Medicina.

O “Trote do Bem” convida os calouros do curso de Medicina da Universidade de Passo Fundo e promove um primeiro contato dos novatos com o ambiente hospitalar.

Crianças fazem trote com alunos de Medicina durante tratamento em hospital

Na última quinta-feira, 21, os ingressantes foram até o Espaço Lúdico do Centro Oncológico, onde foram recepcionados por dezenas de crianças e jovens em tratamento, que aceitam a proposta da Atlética de rasparem o cabelo dos calouros.

Nenhum aluno foi forçado a participar do trote, todos que compareceram foram por livre e espontânea vontade, aceitando o “rito de passagem marcante”.

Há uma tradição de raspar o cabelo quando se entra na faculdade, um momento de descontração que acabou sendo abraçado pelas crianças em tratamento oncológico. Elas mesmas já passaram por esse momento no início de seus respectivos tratamentos.

Crianças fazem trote com alunos de Medicina durante tratamento em hospital

Em meio ao “trote do bem”, as crianças aproveitaram para desmistificar o fato de estarem carecas, ao passo que ganharam a empatia dos calouros, gerando boas risadas no momento da “raspagem”.

João, Stéfani e André foram os “raspadeiros” daquela tarde. Na primeira raspagem, houve certa timidez, mas logo eles entraram na brincadeira e sorriram.

“Gostei de cortar o cabelo deles. Foi bem legal”, disse André.

Stéfani foi a responsável pelas meninas. Ela também ajudou aquelas que queria doar as mechas de cabelo. Dezenas de mechas de 15 cm ou mais foram coletadas e doadas para outras crianças.

Ao final, a alegria no rosto dos calouros por terem participado daquele momento. Muito mais do que um corte ou raspagem de cabelo (como preferir), ele também ganharam uma experiência inesquecível que servirá para o resto da vida profissional.

Crianças fazem trote com alunos de Medicina durante tratamento em hospital

“Esse trote que já uma tradição é muito legal porque todos saem ganhando. É a primeira experiência no ambiente hospitalar, a felicidade por conseguir entrar no curso e o principal, proporcionar um momento de alegria e descontração para as crianças”, enalteceu Isabelle Ranzolin, coordenadora de eventos da Atlética de Medicina da UPF.