Criança passa por cirurgia após aspirar pipoca e receber o diagnóstico errado durante 5 semanas

01/07/2019 às 10:23.

A australiana Cheree Lawrence levou a filha às pressas para o pronto socorro após a menina engasgar com pipoca e ficar com falta de ar. Mas médicos desconsideraram a questão e deram o diagnóstico de asma. Graças à insistência da mãe, a menina fez os exames que precisava e passou por uma cirurgia às pressas para sobreviver.

Graças à insistência da mãe, sua filha pôde realizar a cirurgia a tempo. A pipoca aspirada estava alojada nos pulmões (Foto: Reprodução Instagram)

Quantas vezes você já se arrependeu por não dar ouvidos à intuição? A australiana Cheree Lawrence escreveu um relato em seu Instagram para que pais e mães confiassem mais em suas intuições e também ficassem mais atentos aos alimentos que podem causar engasgo nas crianças. Ela contou que sua filha de 3 anos estava feliz comendo sua pipoca quando tossiu e começou a ficar com falta de ar. Na hora, ela sabia que o problema era decorrente da pipoca, apesar disso, ignorou o seu instinto e confiou no diagnóstico de “asma súbita” dado pelos médicos da equipe de emergência do hospital. A mãe disse que seus filhos sempre comeram pipoca e que até levavam de lanche para a escola, sendo que o alimento nunca foi motivo para preocupações. “Eu não fazia ideia de quão perigoso isso era para as crianças pequenas, que podem aspira-la”, relatou.

Após a falta de ar, Cheree deu um gole de água para a filha. Mas a tosse aumentou e o chiado no peito também. “Nós a observamos, e nos 30 minutos seguintes o chiado começou a piorar, então decidimos levá-la para o pronto socorro. Quando ela chegou lá, seu chiado foi bastante assustador, a respiração parecia um assobio agudo. Pensei que eu deveria ter chamado a ambulância para que ela fosse ainda mais rápido ao hospital. Mas na época isso não passou pela minha cabeça”, conta.

Diagnóstico: início súbito de asma

Enquanto a equipe médica tentava descobrir o motivo da falta de ar e do forte chiado no peito da menina, Cheree contou à eles sobre o ocorrido com a pipoca, mas a equipe disse que não poderia ser isso. E passaram a dar diversos medicamentos para a criança, como esteróides, adrenalina e bombinha de ar. A menina ficou internada para observação até que conseguisse respirar com menos dificuldade. “No dia seguinte, ela foi liberada com com o diagnóstico de um “início súbito de asma”. Embora eu não acreditasse nisso, aceitei o diagnóstico, afinal, os médicos afirmaram que se fosse a pipoca ela não teria melhorado com o uso dos medicamentos.”

Alguns dias se passaram e a mãe conta que novamente a menina, que ainda respirava com dificuldade, teve um chiado terrível, o que fez com que a família corresse novamente para a emergência. “Ela foi vista por outro médico. Quando mencionei a pipoca, ele disse que realmente ela poderia ter aspirado a pipoca, mas era improvável que o motivo fosse aquele porque ela estava respondendo ao uso dos medicamentos.”

A insistência da mãe salvou a vida da filha

A australiana questionou novamente os médicos se não poderiam realizar um raio-x para realmente descartar que a causa do problema fosse a pipoca. Mas ela foi informada que a pipoca não apareceria no exame, então não havia razão para realiza-lo. “O médico me garantiu se fosse a pipoca não teria perigo. Ele recebeu uma segunda opinião de um médico mais antigo, que concordou com a afirmação. E seguimos com o medicamento. Ela foi liberada novamente com uma consulta ambulatorial para ser revisada por um otorrinolaringologista.”

Mas o problema persistia mesmo após duas semanas do engasgo com a pipoca. O chiado no peito se tornou algo constante e continuou incomodando a mãe, cuja intuição gritava saber o motivo do problema. “Levei-a ao seu pronto-socorro novamente e eles apenas a colocaram de volta em esteróides e disseram para manter os medicamentos quando necessário.”

Três semanas havia se passado e a menina continuava com os mesmos sintomas. Cansada de ver a filha sofrendo sem poder correr e pular como antes, Cheree decidiu levar, pela quarta vez, a menina ao hospital. O médico garantiu que o tratamento estava correto. Mas algo dentro da mãe dizia que a menina precisava de mais atenção. “Eu sabia que isso não era normal, então marquei um horário com meu médico, que ficou realmente preocupado depois de ouvir o peito dela e a encaminhou para uma radiografia de tórax imediata. A radiografia mostrou que ela tinha pneumonia e inflamação no pulmão. Meu médico foi direto ao telefone com um especialista e solicitou que ele visse minha filha com urgência.”

Porém, o especialista só pôde atender a menina após uma semana. Era a quinta semana desde que ela começou a passar mal. “Assim que ele escutou o peito da minha filha e viu a radiografia, ele a encaminhou diretamente para a emergência, com uma carta alertando que ela deveria ser detalhadamente examinada. Naquela tarde, ela foi levada para uma cirurgia de emergência para remover o pedaço de pipoca que ela havia aspirado. Era tarde demais! O dano estava feito: a pipoca causou alguns danos ao pulmão durante as 5 semanas que ficou alojada, se quebrando lá dentro”, lamentou a mãe.

Abalada, porém aliviada, Cheree escreveu que não queria pensar sobre o que poderia ter acontecido se ela não tivesse insistido na causa do problema e levado a filha a um especialista particular. Ela lamentou ainda não ter recorrido a um serviço de atendimento que existe em sua cidade e que possibilita que as famílias relatem as preocupações quando sentem que seus filhos não estão sendo bem atendidos pelos médicos. Aos pais, ela deixou o seguinte recado: “Por favor, lembre-se de sempre confiar em seu instinto e defender que seja feito o necessário para seu filho. Os médicos também podem errar e nós, pais, conhecemos nossos filhos e sabemos quando algo não está bem com eles.”

Via: Revista Crescer