Conheça o Museu da Natureza, que será inaugurado em dezembro

23/11/2018 às 10:26. Comente esta notícia!

No próximo mês, em 18 de dezembro, o Parque Nacional da Serra da Capivara, no estado do Piauí, inaugurará o Museu da Natureza.

A área, que abriga atualmente a maior concentração de sítios pré-históricos do país receberá o complexo cultural, propondo aos visitantes e entusiastas da cultura uma grande imersão pela história natural do nosso planeta – partindo desde o início da vida tal qual a conhecemos ao surgimento da nossa espécie e a influência do ser humano no clima, especialmente em um período de constantes mudanças climáticas.

Toda essa imersão do público junto às obras do Museu da Natureza será feito junto às mais sofisticadas tecnologias interativas – alguns especialistas já o colocaram no rol de “super museus”.

O conceito por trás da instituição é bastante ousado: abranger, sob um ponto de vista cosmológico, todas as eras vividas por nossos ancestrais, focando naqueles que viveram naquela região, entre outras atrações.

Ao todo, o visitante poderá percorrer por 12 salas, que conterão ricas informações sobre o surgimento do universo, o nascimento do Sol e o Sistema Solar, do nosso planeta, além do desenvolvimento da vida, iniciado há 3,5 bilhões de anos, passando pelas eras triássicas, jurássicas e cretáceas, até os animais da megafauna.

Ao final da excursão, os visitantes ainda terão uma surpresa especial, com a exibição de um filme que acompanha uma jornada de toda a existência da Terra, narrado por Maria Bethânia, que levanta a reflexão sobre nossa própria participação na manutenção da vida do nosso planeta.

 

“[…] A cada hora, nove mil pessoas se somam à população mundial e cerca de três espécies entram em extinção. […] Somos os únicos capazes de transformar a criação em uma atividade. Temos criatividade. […] A natureza está em trânsito. A estabilidade é uma ilusão. A vida insiste, resiste. Mas qual vida? Qual vida você quer criar?”

O curador do Museu da Natureza, Marcello Dantas, explica que a instituição levanta o debate de uma nova mudança climática na qual, pela primeira vez na história do nosso planta, a ação de uma só espécie teria impacto global nessa relação: “Os níveis de gás carbônico emitidos pela humanidade têm contribuído drasticamente para o aquecimento do planeta.”

Pela primeira vez modelados para um museu, preguiças gigantes, ursos, lhamas e mastodontes – todos estes animais que viveram no território brasileiro, há milhares de anos, – serão exibidos nas galerias para os visitantes. Nelas também serão possíveis fazer passeios virtuais pela topografia e relevo do parque, que contam com cavernas, cânions, boqueirões e floras. Toda a experiência é simulada num voo de asa alta, feita com óculos 3D.

No total, o museu terá 1700 metros de área expositiva permanente e outros 700 metros de área para eventos e exposições temporárias.

Elizabete Buco, arquiteta responsável pelo espaço, diz que toda a estrutura arquitetônica do local foi imaginada para gerar reflexão: “A forma espiral dá a ideia de evolução, uma sucessão de acontecimentos, de movimentos ascendentes, progressivos e sem fim.”

O museu nasceu de uma mera ideia apaixonada de Niéde Guidon, arqueóloga brasileira reconhecida mundialmente por sua luta pela preservação do Parque Nacional da Serra da Capivara.

Há quinze anos, Niéde deu início a reuniões com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), buscando financiamento para o Museu da Natureza.

Apesar do projeto ter sido elogiado pelo banco, o seu projeto levou cinco anos para avançar, quando foi entregue à instituição os primeiros esboços e desenho arquitetônico. Já em 2013, dez anos após as primeiras conversas, o BNDES liberou a primeira verba para a elaboração do projeto executivo. As obras foram finalmente iniciadas em 2017 e concluídas no ano seguinte.