Condenado por homicídio com dolo eventual, Carli Filho não sai preso do Tribunal do Júri

01/03/2018 às 08:02.

Terminou o julgamento do ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho foi condenado pelo Tribunal do Júri nesta quarta-feira (28). Acusado de duplo homicídio com dolo eventual (quando se assume o risco de matar), a sessão durou dois dias e terminou no fim da tarde de quarta. Em maio de 2009 o então deputado se envolveu no acidente que terminou com a morte de Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo de Almeida.

Ao chegar para o segundo dia de julgamento, Christiane Yared, mãe de uma das vítimas fatais do acidente, afirmou que perdoa Carli Filho. “A sentença dele tem prazo de validade, mas a minha não”, disse.

O primeiro dia

Nesta terça-feira (27)  todas as testemunhas foram ouvidas, bem como o réu Carli Filho. Hoje, o julgamento segue com os debates entre acusação e defesa, seguidas das possíveis dúvidas do juiz Daniel Avellar, responsável pelo julgamento, e também do veredito dos integrantes do júri popular.

Nas primeiras oito horas de julgamento o local onde acontece o julgamento foi tomado pela emoção e encontro das famílias envolvidas na tragédia, ainda mais quando as imagens do acidente foram mostradas no júri. O ex-deputado estadual compareceu ao julgamento e se disse arrependido. Ele falou ainda que “eles não saíram para morrer, mas eu não saí para matar”.

O segundo dia

A quarta-feira (27) foi marcada pela exposição dos advogados e da promotoria. Dominou o clima de tensão no tribunal, que chegou a ver até uma discussão mais ríspida entre os advogados. A sessão começou às 9 horas com o promotor do caso, Marcelo Balzer reforçando a tese de homicídio doloso e acusando o réu de não ter se arrependido, de estar encenando para não ser condenado.

Após o promotor, foi a vez do advogado Elias Mattar Assad, que representa a família Yared e foi assistente de acusação. O advogado disse ser ‘covardia’ a defesa querer culpar as vítimas pelo acidente e chegou a caracterizar uma possível absolvição como absurda. “Era só o que faltava ele sair por aquela porta, rindo da Justiça”, disse.

O terceiro a falar foram os advogados de defesa Alessandro Silverio e Roberto Brzezinski Neto, que tentaram descaracterizar o crime como sendo doloso e pediram para que o julgamento fosse feito sem preconceitos. Silverio aproveitou também para criticar o trabalho da imprensa em sua sustentação, acusando de manipulação.

No final da exposição da defesa do ex-deputado, Assad chegou a discutir com Brzezinski, após o defensor afirmar que o álcool e a velocidade não importavam para o caso.

Nas réplica e tréplica, a defesa seguiu pedindo para que o caso fosse tratado como acidente de trânsito e a acusação pedindo a condenação por homicídio doloso.

Por volta das 16h30, os jurados se reuniram para definir a sentença e em cinco minutos votaram pela condenação a nove anos e quatro meses do ex-deputado.

Via: Tribuna do Paraná