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Como manter a harmonia entre amigos e casais em época de eleições

25/09/2018 às 11:10.

O psicólogo e pesquisador da comunicação humana da UFMG Cláudio Paixão, doutor em Psicologia Social, propõe um exercício: antes de partir para o embate, é bom respirar fundo e pensar sobre os laços estabelecidos com o interlocutor ao longo da vida.

— Se estamos falando de uma pessoa amiga, acho válido refletir sobre tudo que ela representa para além do tema discutido. Cabem perguntas como: quais qualidades ela tem? O que já fez por mim? O que já fiz por ela? — sugere. — Em geral, temos uma história em comum que vai além da discussão travada num determinado momento.

Se os exercícios em busca da tolerância se fazem fundamentais nesses casos, o casal Grace e Rugerpe Neves, são mestres na “arte”. Juntos há 28 anos e pais de três filhos, eles sempre votaram em candidatos totalmente opostos. Digamos que, em casos de emergência, ela escolhe a saída pela esquerda, e ele fica com a da direita.

— Nos conhecemos em 1990 e nos casamos em 1992. Não era ano de eleição presidencial. Isso pode explicar — relembra Grace. — Eleição foi só em 1994, quando nosso filho estava completando o primeiro aninho. Estávamos bem ocupados começando a vida, e não existia essa polarização.

Mas isso não quer dizer que ela tenha “sangue de barata”. Os dois já bateram boca e, no fim das contas, combinaram que o melhor é não tocar no assunto dentro de casa. Entre os cuidados, ela procura não se manifestar no grupo de WhatsApp da família dele e também não faz nenhum tipo de comentário nas postagens feitas pelo companheiro nas redes sociais.

Rugerpe adota a mesma postura. Afinal, como ele frisa, as pessoas não são obrigadas a ter a mesma opinião. O casal lida tão bem com essa diferença, que, quando a votação vai para um segundo turno, aproveita para colocar o pé na estrada.

— O voto de um anularia o do outro de qualquer jeito — teoriza Rugerpe, que é frequentemente questionado sobre “como consegue conviver com a mulher”. — É a vontade dela. A gente não tem que entrar em conflito por causa disso. Temos tantas coisas em comum, que não seria justo deixar que as divergências políticas nos atrapalhem.