Como ‘Elite’ virou fenômeno com trama adolescente produzida na Espanha e escola de riquinhos

24/10/2018 às 10:01.

Com atores de ‘Casa de papel’, minissérie teen da Netflix aborda temas como sexo, drogas, HIV e corrupção. Ela foi comparada a ‘Gossip girls’, ‘Skins’, ‘O.C.’ e ‘Meninas malvadas’.

Junte sexo – e orientação sexual –, álcool, drogas, tráfico, adolescentes (muito) riquinhos, um colégio milionário, conflitos (escolares, sociais e religiosos), corrupção, um assassinato a ser solucionado, paixão adolescente, HIV e alguns atores de “La casa de papel”.

Em resumo, está aí a receita de “Elite”, a minissérie espanhola que é um dos fenômenos pop da vez. Com oito capítulos lançados em 5 de outubro, é a segunda produção original da Netflix na Espanha. O sucesso foi tanto que uma nova temporada foi anunciada 12 dias mais tarde. Estreia em 2019.

A trama é teen, mas a classificação indicativa é 18 anos. A história se passa num colégio de elite (dã…). Não erra quem vê semelhanças com hits do passado, como as séries “Gossip girls” (2007-2012), “Skins” (2007-2013), “The O. C.” (2003-2007) e ainda o filme “Meninas malvadas” (2004).

“Elite” é dirigida por Ramón Salazar e Dani de la Orden. O roteiro é de Carlos Montero e Darío Madrona.

Veja, abaixo, dez razões para entender o fenômeno ‘Elite’

1. Ricos x Pobres

Cena da minissérie espanhola 'Elite'; a partir da esquerda: Samuel (Itzan Escamilla), Nadia (Mina El Hammani) e Christian (Miguel Herrán) — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Cena da minissérie espanhola ‘Elite’; a partir da esquerda: Samuel (Itzan Escamilla), Nadia (Mina El Hammani) e Christian (Miguel Herrán) — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

“Elite” tem como um de seus cenários principais a escola Las Encinas, descrita como “a mais exclusiva de toda a Espanha”. Leia-se: mensalidade acessível apenas a famílias milionárias.

O conflito inicial da trama nasce quando três alunos de um colégio público que desabou ganham bolsa para estudar em Las Encinas. Eles são:

  • a muçulmana Nadia (Mina El Hammani);
  • o apaixonado e retraído Samuel (Itzan Escamilla, de “As telefonistas”, primeira produção da Netflix na Espanha), que ainda por cima tem em casa um irmão mais velho que acaba de deixar a prisão;
  • e o atirado Christian (Miguel Herrán).

Além do convívio difícil nesse ambiente hostil, serão discriminados pelos pais ricaços dos novos colegas. É uma gente muito poderosa e influente no país, que olha com toda a desconfiança do mundo para os recém-chegados.

2. Morte

Itzan Escamilla como Samuel em cena da primeira temporada da minissérie espanhola 'Elite', da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Itzan Escamilla como Samuel em cena da primeira temporada da minissérie espanhola ‘Elite’, da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

A clássica trama do “quem matou fulano(a)?” é ponto-chave de “Elite”. A morte de uma das personagens centrais da história é mostrada logo no primeiro episódio, mas leva toda a temporada para ser solucionada.

Não se sabe quem matou nem por que matou. A trama se alterna em dois tempos/cenários:

  1. Dia a dia da escola Las Ensinas e festinhas/econtrinhos dos alunos em mansões.
  2. Depoimentos dos jovens à detetive na delegacia que conduz a investigação para desvendar a identidade do assassino.

O roteiro não perde a chance de trabalhar com a dúvida: o criminoso é um dos alunos pobres ou de algum riquinho que se aproveitou da situação? Spoiler de leve: quem aparece no episódio inicial coberto de sangue é Samuel (foto acima).

3. Sexo adolescente e relação a 3

Cena de 'Elite', série da Netflix mostra o personagem Christian (Miguel Herrán, à esquerda), bolsista que se envolve em uma relação a três com o casal Carla (Ester Expósito) e Polo (Álvaro Rico) — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Cena de ‘Elite’, série da Netflix mostra o personagem Christian (Miguel Herrán, à esquerda), bolsista que se envolve em uma relação a três com o casal Carla (Ester Expósito) e Polo (Álvaro Rico) — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

As relações entre os alunos de Las Encinas não se resumem a conflitos no ambiente escolar. Há momentos sensuais, com nus parciais nas cenas de sexo.

Miguel Herrán como Crhistian, Ester Expósito como Carla e Álvaro Rico como Polo em cena da 1ª temporada de 'Elite', série espanhola da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Miguel Herrán como Crhistian, Ester Expósito como Carla e Álvaro Rico como Polo em cena da 1ª temporada de ‘Elite’, série espanhola da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

E há sexo a três, como na relação entre Christian (Miguel Herrán), um dos bolsistas, e os colegas Carla (Ester Expósito) e Polo (Álvaro Rico), que formam um casal.

María Pedraza, como Marina, e Itzan Escamilla, como Samuel, em cena da 1ª temporada da série espanhola 'Elite', da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

María Pedraza, como Marina, e Itzan Escamilla, como Samuel, em cena da 1ª temporada da série espanhola ‘Elite’, da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Itzan Escamilla como Samuel e María Pedraza como Marina na 1ª temporada de 'Elite', produção espanhola da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Itzan Escamilla como Samuel e María Pedraza como Marina na 1ª temporada de ‘Elite’, produção espanhola da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Além disso, um outro bolsista, Samuel (Itzan Escamilla), é apaixonado por Marina (María Pedraza), que por sua vez se encanta por Nano (Jaime Lorente), que vem a ser justamente o irmão mais velho de Samuel. Ex-presidiário, ele acaba se envolvendo com a namoradinha do caçula.

 Jaime Lorente como Nano María Pedraza como Marina na 1ª temporada de 'Elite', série espanhola da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Jaime Lorente como Nano María Pedraza como Marina na 1ª temporada de ‘Elite’, série espanhola da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Por outro lado, o sexo não aparece só nos momentos sexy, não. A primeira vez de um garoto que está perdidamente apaixionado por uma das alunas é tratada de modo romântico. Gravidez na adolescência também tem vez em “Elite”.

4. Relação gay

Omar Ayuso como Omar e Arón Piper como Ander em cena da 1ª temporada de 'Elite', produção espanhola da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Omar Ayuso como Omar e Arón Piper como Ander em cena da 1ª temporada de ‘Elite’, produção espanhola da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

O personagem Omar (vivido pelo estreante Omar Ayuso, um dos melhores atores do elenco) não estuda em Las Encinas. O jovem é muito amigo de Samuel (Itzan Escamilla) irmão da aluna bolsista Nadia (Mina El Hammani) e vive numa família muçulmana de costumes rigorosos.

Ele também tem conflitos com a própria sexualidade e se envolve com um dos colegas de Nadia, Ander (Aron Piper), que é filho da diretora da instituição e sofre por causa de sua “vida dupla”. Isso porque o garoto é jogador de tênis e esconde sua orientação sexual dos amigos.

Omar Ayuso como Omar (à esquerda) e Arón Piper como Ander em cena da 1ª temporada de 'Elite', produção espanhola da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Omar Ayuso como Omar (à esquerda) e Arón Piper como Ander em cena da 1ª temporada de ‘Elite’, produção espanhola da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Numa das cenas, Ander marca com Omar um encontro às escondidas num bar gay (foto abaixo).

5. Álcool e drogas

Uma das cenas de festas milionárias em 'Elite', série da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Uma das cenas de festas milionárias em ‘Elite’, série da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Os adolescentes de “Elite” fazem festinhas em casa com bastante frequência. Não têm qualquer dificuldade para conseguir bebidas alcoólicas, e há muitas cenas de consumo.

Além disso, há drogas. Omar é um pequeno traficante, que fornece inclusive para alunos de Las Encinas. Exerce a atividade escondido da família, claro.

O ator Omar Ayuso (à esquerda) em 'Elite' — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

O ator Omar Ayuso (à esquerda) em ‘Elite’ — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

O tema “drogas” também é abordado no caso do personagem Guzmán (Miguel Bernardeau). Também aluno da escola, ele é irmão adotivo de Marina.

O rapaz é totalmente contra o uso de drogas e condena todos os que fazem isso, principalmente porque descobriu que seus pais biológicos morreram em decorrência do uso de substâncias químicas.

Miguel Bernardeau como Guzmán em cena da 1ª temporada de 'Elite', minissérie espanhola da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Miguel Bernardeau como Guzmán em cena da 1ª temporada de ‘Elite’, minissérie espanhola da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Além disso, Guzmán acredita que a irmã mais nova estava sob efeito de drogas quando, no caso, foi abusada por um antigo bolsista do colégio. Marina desmente essa informação o tempo todo.

6. Conflito religioso

Mina El Hammani como a aluna muçulmana Nadia em 'Elite'; a personagem é proibida pela direção da escola de usar seu véu islâmico — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Mina El Hammani como a aluna muçulmana Nadia em ‘Elite’; a personagem é proibida pela direção da escola de usar seu véu islâmico — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

O foco, com relação a isso, é na bolsista Nadia e em sua família. São muçulmanos. O conlito acontece porque a aluna é proibida de usar na escola o véu islâmico, coisa que ela esconde dos pais.

A direção do colégio joga pressão sobre Nadia para que abra mão da vestimenta religiosa, ameaçando inclusive de expulsão em caso de desobediência.

7. HIV

Uma das personagens de “Elite” tem HIV. Quando a minissérie começa, ela já é portadora do vírus. Contraiu no passado, ao fazer sexo com um ex-bolsista chamado Pablo.

O irmão da garota chegou perto de matar Pablo após saber da história. Esse, aliás, é um dos motivos pelos quais os alunos de Las Encinas mostram ter tanto preconceito quando chegam os novos bolsistas.

8. Currupção

Cena da série espanhola 'Elite', que retrata a alta classe da Espanha — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Cena da série espanhola ‘Elite’, que retrata a alta classe da Espanha — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

O pai de dois dos personagens principais é um milionário da construção civil que acaba sendo detido por se envolver em esquema de corrupção com o pai de outro colega deles.

Na história, as atividades ilegais não apenas garantem um padrão de vida cheio de luxo e riqueza dos filhos. Elas também podem ter relação direta no evento que levou à destruição do colégio público de onde vieram os três bolsistas.

O distanciamento entre os integrantes dessas famílias cheias de dinheiro, com diversas brigas entre pais e filhos, também tem espaço na história de “Elite”.

9. Competitividade acadêmica

Danna Paola como Lu e Mina El Hammani como Nadia em cena de 'Elite', produção espanhola da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

Danna Paola como Lu e Mina El Hammani como Nadia em cena de ‘Elite’, produção espanhola da Netflix — Foto: Manuel Fernandez-Valdes/Netflix

A disputa entre entre duas alunas para conseguir uma bolsa de estudos fora do país também ocupa parte dos episódios.

Lu (Danna Paola) é uma das estudantes ricas de Las Encinas que não se conforma em perder o posto de melhor de melhor aluna para a bolsista Nadia.

Chega, inclusive, a chanteagear um professor oferecendo-se para resolver uma questão pessoal dele em troca de aumento de nota. E de prejudicar a colega.

10. Atores de ‘La casa de papel’

Lançada em 2017, “La casa de papel” tornou-se no começo deste ano a série não falada em inglês mais vista da Netflix. Virou um fenômeno.

“Elite” consegue aproveitar um rescaldo desta onda de sucesso por ter no elenco três atores da série sobre um assalto à Casa da Moeda da Espanha. São eles:

  • María Pedraza, que foi a Alison Parker e agora faz Marina;
  • Miguel Herrán, que foi o Rio e agora faz Christian;
  • E Jaime Lorente, que foi Denver agora faz Nano.