Com plantas secas e mofadas, estufa do Jardim Botânico de Curitiba decepciona visitantes

05/12/2018 às 08:31. Comente esta notícia!

Apesar de parecer deslumbrante em muitas áreas, o Jardim Botânico de Curitiba não está impecável. O problema está justamente na estufa principal do local — cuja parte interna se tornou sinônimo de decepção a turistas e visitantes nas últimas semanas. Plantas mofadas, amareladas e empoeiradas, além escadas enferrujadas e vidros sujos, fazem parte do cenário encontrado dentro da construção.

“Eu tinha muita expectativa para o jardim, por ser um dos cartões-postais de Curitiba. Mas a estufa decepcionou e está perdendo para outras como a do Jardim Botânico de São Paulo, que visitei recentemente”, conta o turista Eduardo Silva, de 51 anos. O visitante reparou principalmente na grande quantidade de plantas amareladas dentro da estrutura. Algumas delas chegam a estar parcialmente arrebentadas e sem placas de identificação muito claras.

Para quem mora na cidade, ver as espécies se deteriorando chega até a trazer angústia. Uma delas é Janayna Ramos, que lembra de ter visitado o Botânico há cerca de oito anos, quando se mudou de Cascavel para a capital. “Voltar aqui com uma amiga de Cascavel e encontrar as plantas tão mal cuidadas, como se estivessem sem água há tempos, é muito triste”, relata.

A parte metálica interna da estufa também encontra-se em estado duvidoso — problema que já havia sido identificado na parte externa há cerca de dois meses. Grande parte da pintura está descascando, deixando pontos enferrujados a mostra. “Eu fiquei pensando se era intencional, para manter um aspecto rústico. Mas quando eu vi que as plantas também estavam todas empoeiradas, percebi que era falta de manutenção, mesmo”, opina a turista Laysa Rocha, que veio de Porto Alegre para conhecer a capital paranaense.

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Apesar dos problemas na estufa, os turistas continuam achando todo o resto do jardim muito bonito. No entanto, o desapontamento se dá porque a estufa é o ponto mais esperado da visita. “A gente guarda a expectativa para essa parte, que sempre aparece nas fotos de divulgação da cidade”, conta a turista Antonia Pinto, que veio de Manaus e chegou a encontrar plantas mofadas durante a visita.

Por isso, a dica para não sair do Botânico desiludido é não imaginar que irá entrar em um local tão especial assim, garante o carioca José Luiz Portela, que está se mudando para Curitiba: “Para mim esses problemas são só detalhes, porque estou acostumado com os parques do Rio de Janeiro, que vivem tendo problemas muito mais graves de manutenção”. Segundo Portela, mesmo assim é visível que os vidros precisam de uma limpeza, as plantas de mais água e as escadas de uma pintura.
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Marcelo Andrade/Gazeta do Povo
Reforma total

O mais importante quanto à manutenção da estufa, segundo a prefeitura, é que em breve ela receberá uma reforma completa. “Então não podemos gastar dinheiro público para arrumar temporariamente algo que será refeito logo mais”, explica José Roberto Roloff, diretor de Produção Vegetal da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA).

De acordo com Roloff, o projeto já está em fase final de licitação, e deve começar em meados de janeiro de 2019. Nas obra, toda a parte estrutural deve ser refeita, incluindo vidros, ferros e escadas. A previsão é que a reforma dure cerca de seis meses, tempo durante o qual as plantas serão removidas para outra área. Quando a nova estufa estiver pronta, haverá um replantio.

Os serviços incluem recuperação de esquadrias, do piso do mezanino, das escadas, das calhas e das vedações, pintura, implantação de novos corrimões, limpeza total da estrutura. Dentro do projeto, o espaço cultural atrás da estufa também vai ganhar revitalização e novos usos, como um café, escola de jardinagem e uma coleção botânica.

Por enquanto, Roloff explica que as plantas amareladas e secas serão analisadas. Mas não garante que elas deixem de ficar empoeiradas, por exemplo. “As plantas de dentro da estufa não tem o mesmo caráter de embelezamento como as plantas externas. Elas são exibidas como são naturalmente, com pouco trato paisagístico”, esclarece. Conforme o diretor, mesmo na natureza as plantas têm uma camada de resíduo.