Com calor escaldante, Papai Noel chega de jetski em festa de Natal para crianças que lutam ou já venceram o câncer

19/12/2018 às 11:03.

A tarde desta terça-feira foi a mais quente de 2018 até agora no Rio. Os termômetros bateram 40,6°C, com sensação térmica de 50°C na Zona Oeste. Com o calor escaldante, nem Papai Noel resistiu. Foi parar dentro da água, e por uma boa causa. Às vésperas da chegada oficial do verão, o Bom Velhinho surpreendeu 120 crianças que trocaram o ambiente hospitalar pela alegria de brincar no mar — algumas pela primeira vez. Montado num jet ski, ele foi a principal atração do evento organizado pelo segundo ano consecutivo, no 3º GMar, na Praia de Copacabana, pelo Corpo de Bombeiros e pela Associação dos Amigos da Infância com Câncer (Amicca).

As manobras radicais do Papai Noel do Corpo de Bombeiros divertiu a criançadaAs manobras radicais do Papai Noel do Corpo de Bombeiros divertiu a criançada Foto: Marcelo Regua / Agência O GloboCom a ajuda dos salva-vidas, as crianças entraram no marCom a ajuda dos salva-vidas, as crianças entraram no mar Foto: Marcelo Regua / Agência O Globo

As crianças, que venceram ou ainda lutam contra o câncer, aproveitaram o dia desde cedo. O Projeto Grãos de Gratidão organizou, com a ajuda dos salva-vidas, banhos de mar, passeios de jetski e de bote, além de recreação com pula-pula e touro mecânico, apresentação de palhaços, demonstração de cães de salvamento dos Bombeiros. Na hora do almoço, um lanche caprichado: pizza, sorvete, batata-frita.

– Hoje, pode. Está liberado pelo médico. Até o banho de mar durante a tarde foi liberado. Wesley teve linfoma de Hodgkin e tuberculose ganglionar aos 9 anos. Ficou curado, após nove meses de quimioterapia. Mas tem ceratose capilar e não pode pegar sol. Moramos no Chapéu Mangueira e o trago à praia apenas às 6h30. Às 8h30, já estamos saindo. Ele ama o mar e hoje se esbaldou, andou de jetski duas vezes – conta Julia Lira Medeiros, de 57 anos, mãe de Wesley, que tem síndrome de Down.

Wesley adorou o passeio e quis repetir

 

– Hoje, pode. Está liberado pelo médico. Até o banho de mar durante a tarde foi liberado. Wesley teve linfoma de Hodgkin e tuberculose ganglionar aos 9 anos. Ficou curado, após nove meses de quimioterapia. Mas tem ceratose capilar e não pode pegar sol. Moramos no Chapéu Mangueira e o trago à praia apenas às 6h30. Às 8h30, já estamos saindo. Ele ama o mar e hoje se esbaldou, andou de jetski duas vezes – conta Julia Lira Medeiros, de 57 anos, mãe de Wesley, que tem síndrome de Down.

Já a pequena Sofia Mara, de 4 anos, veio de longe para aproveitar o dia na Praia de Copacabana.

– Moramos em Gardênia Azul e nunca vamos à praia. Sofia nasceu com atresia (estreitamento) de esôfago e tem uma síndrome no sangue que deixa suas plaquetas sempre baixas. Não vamos à praia porque ela não pode se gripar, tem que estar bem para o tratamento – diz a mãe, Margareth Pimentel, de 41 anos, feliz por ver a menina de biquíni na beirada do mar.

Karem gostou do passeio de jetski na Praia de Copacabana e se sentiu segura com a ajuda dos salva-vidas

Karem gostou do passeio de jetski na Praia de Copacabana e se sentiu segura com a ajuda dos salva-vidas Foto: Marcelo Regua / Agência O Globo

 

Quem não se contentou em molhar apenas os pés, como costuma fazer quando vai à praia apenas com a família, foi a estudante Aparecida Karem Silva de Oliveira, de 17 anos. Cadeirante em função de um câncer no cóccix (pequeno osso no final da coluna vertebral) ao nascer, ela contou com a ajuda dos bombeiros para entrar no mar.

– Desta vez, entrei na água mesmo. Uma onda chegou a passar por cima da minha cabeça. No início, fiquei com medo, mas depois aproveitei. Um dia diferente é muito bom – diz Karem, que também andou numa prancha puxada por um jetski. – Foi muito bom. Não tive medo.

Para Ana Luiza Vieira Gomes, de 12 anos, moradora da Pavuna, o primeiro mergulho no mar teve gostinho de desafio. A menina, que tem paralisia cerebral, recebeu a ajuda dos bombeiros, que se emocionaram com a reação da criança.

– É gratificante ajudar crianças que passam por um dia a dia tão duro, ainda mais porque estamos levando-as para o mar, um ambiente sagrado para nós, que somos salva-vidas. O mar é onde todos se despem dos títulos e se tornam iguais. Estou feliz por ser o canal de felicidade para essas crianças – diz o cabo bombeiro Isac Alves, de 32 anos.

A pequena Maria Eduarda, de 5 anos, adorou o banho de mar no colo de uma voluntário do Projeto Grãos de GratidãoA pequena Maria Eduarda, de 5 anos, adorou o banho de mar no colo de uma voluntário do Projeto Grãos de Gratidão Foto: Marcelo Regua / Agência O Globo

De acordo com o subcomandante do 3º Grupamento Marítimo (Gmar), coronel Aquino, participaram do evento cerca de cem militares, entre os que estavam de serviço e o que compareceram voluntariamente:

– É uma responsabilidade muito grande para nós e, para que tudo aconteça como deve ser, nos preparamos e nos reunimos com representantes da Amicca durante o ano. Estamos atentos a tudo.

À frente da Amicca desde 1980, quando fundou a associação, Iara Rezende também estava atenta a todos os detalhes. E só relaxou com a chegada do Papai Noel, radicalizando sobre um jetski. As crianças aplaudiram. Minutos depois, escoltado por um Batman, Papai Noel chegou ao 3º Gmar numa caminhonete dos Bombeiros e distribuiu presentes para as crianças.

– É uma felicidade poder retirar essas crianças do ambiente hospitalar e trazê-las para esse evento ao ar livre. Estou emocionada de vê-las no mar, andando de jetski, tendo contato com os cachorros – diz Iara, que encontrou no subtenente bombeiro Ricardo o primeiro apoio na corporação para realizar o evento.

Para o subtenente, a beleza da ação está na disposição de todos em ajudar de forma voluntária:

– Pessoas que têm jetski vêm para ajudar, o lanche, os brinquedos, tudo é doado. A corporação abraçou essa causa. O resultado é maravilhoso, não tem preço – diz Ricardo.