Coca-Cola pode parar de fabricar no Brasil

22/08/2018 às 08:29. Comente esta notícia!

Para pagar a conta do subsídio ao diesel concedido durante a greve dos caminhoneiros, o governo federal decidiu reduzir um benefício fiscal concedido a fabricantes de concentrado de refrigerantes sediadas na Zona Franca de Manaus. A medida acertou em cheio duas gigantes do setor, Coca-Cola e Ambev. Desde então, as empresas vêm pressionando o governo para retomar o benefício, chegando ao ponto, segundo reportagem de hoje da Folha de S. Paulo, de a Coca-Cola dizer que pode deixar Manaus e produzir em outro país (a empresa nega).

Foto: Pixabay

O “bolsa-refrigerante” custa R$ 2,5 bilhões por ano e funciona da seguinte maneira: as fabricantes de concentrado ganham um crédito de IPI que é abatido de outros impostos, como o Imposto de Renda. A alíquota que gerava esse crédito era de 20% e o governo decidiu reduzi-la para 4%, diminuindo em 80% o valor do benefício. A estimativa da Receita Federal é que haja uma arrecadação extra de R$ 1,9 bilhão no ano que vem se a decisão for mantida.

Por intermédio de sua assessoria de imprensa, a Coca-Cola disse que não tem planos de deixar o Brasil. “Reiteramos que a Coca-Cola Brasil não tem planos de deixar a Zona Franca de Manaus, de onde, há 28 anos, sai o concentrado utilizado na produção de várias de nossas bebidas pelas 36 fábricas instaladas no país. O nosso compromisso com o Brasil é sólido e de longo prazo, numa trajetória que já soma 76 anos. Nossos valores e práticas incluem diálogo e transparência com governos e com a sociedade brasileira. Atuamos em 202 países sempre com total respeito às leis locais. Em todo o Brasil, o Sistema Coca-Cola emprega 54 mil pessoas direta e outras 600 mil indiretamente na produção e distribuição de 213 produtos de 20 marcas. Só este ano nosso investimento no Brasil foi de R$ 3 bilhões, seguindo o mesmo patamar de 2017″.