Cobradora trabalha 14 horas para cobrir “furos” da greve de ônibus

17/03/2017 às 08:14.

A trabalhadora deveria ter deixado o trabalho às 16h30, mas vai continuar no tubo até o último ônibus passar

Cobradora deveria sair às 16h30 mas deverá ficar no tubo até 0h40 | Daniel Castellano/Gazeta do Povo

Foto: Daniel Castellano/Gazeta do Povo

A jornada de seis horas de uma cobradora que trabalha em uma estação-tubo na região central de Curitiba mais do que dobrou nesta quinta-feira (16). Além do seu turno, a funcionária terá que cumprir outras oito horas de jornada pela falta de pessoas na empresa de transporte onde trabalha em decorrência da greve parcial de ônibus. A reportagem conversou com a cobradora por volta das 21h20 e depois às 23 horas, quando ela já tinha completado 12 horas de trabalho. Mas a expectativa é de fechar quase 14 horas ininterruptas de jornada nesta noite. Ela contou que o “turno” na estação-tubo acabará apenas a 0h10 da madrugada desta sexta-feira (17). Mas ela ainda terá ir para a empresa para fazer o “acerto” e o expediente terminará mesmo a 0h40.

A trabalhadora, que preferiu não se identificar para evitar represálias, disse que chegou ao trabalho às 10h50 como de costume. Conforme a escala, deveria deixar o posto às 16h30, mas o próximo colega não chegou para assumir a função. Ao contatar a empresa, ela foi informada de que deveria ficar e esperar o próximo cobrador. Desde então, a trabalhadora está no tubo, esperando a chegada dos colegas que nunca apareceram.

“São normas da empresa, eu não posso deixar o tubo sozinho. Posso levar uma notificação e até perder o emprego”, disse. Agora, ela aguarda o último ônibus passar para ir para casa, o que deve acontecer por volta das 0h40. “Vou esperar o último ônibus, fazer o que…”, desabafou. Dessa forma, a cobradora ficará na estação-tubo das 10h50 até 0h40 – completará quase 14 horas no posto. E ela ainda terá que retornar ao trabalho às 10h50 desta sexta.

Além das horas exaustivas, a irritação dos passageiros

Além do cansaço devido às horas intensas de trabalho, a cobradora contou que tem enfrentado a fúria dos passageiros, que se irritam com as grandes filas, demora para que os ônibus cheguem, além dos veículos lotados. “Os motoristas não têm culpa, os cobradores não têm culpa. Tanto que estou aqui fazendo turno triplo. O que a gente quer é uma solução rápida para o nosso problema. Aí fica bom pra todo mundo”, completou.Uma audiência marcada para esta sexta-feira (17) entre o Sindimoc, sindicato que representa os motoristas e cobradores, e o Setransp, sindicato que representa as empresas do transporte, tenta por fim à greve parcial de ônibus na capital. A reunião deve acontecer no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) a partir das 15h.