Cientistas criam spray que pode curar queimaduras sérias rapidamente

27/03/2018 às 10:12.

Em janeiro, quando a norte-americana Christin Lipinski, de 37 anos, chegou ao hospital do Sistema de Saúde Integrado Maricopa, na cidade de Phoenix, no Arizona, os médicos mal imaginavam como o caso dela estabeleceria precedentes para auxiliar a ciência.

De primeira, Lipinski parecia ter uma alergia abaixo de sua axila. Ao analisar a pele mais de perto, no entanto, a equipe médica do hospital percebeu que a mulher tinha sido infectada por uma bactéria do gênero Streptococcus, que pode devorar a pele humana.

A paciente foi levada para a mesa de cirurgia. “A infecção era tão profunda que tivemos que ir até os músculos”, afirmou o médico Kevin Foster, em entrevista à revista New Scientist.

Em casos como o de Lipinski, em que pacientes perdem uma porção considerável de suas peles, o procedimento costuma ser cortar a pele de outras partes do corpo para remendar as danificadas. A mulher, no entanto, já tinha perdido um terço da pele corporal para a bactéria, fazendo com que os médicos optassem por uma nova estratégia: usar um spray de pele para reconstituir a ferida causada pela Streptococcus.

Chamado de ReCell, o spray tem como objetivo ajudar no tratamento de queimaduras sérias e ainda está em fase de testes. Para criá-lo, os cientistas cortam um pequeno pedaço de outra parte do corpo do paciente e aplicam nele uma enzima que quebra o tecido em células individuais da epiderme que, então, são aplicadas nos machucados em forma de spray.

Foster e seus colegas pediram uma autorização especial do órgão que regula a aprovação de medicamentos nos Estados Unidos (Food and Drug Administration, também conhecido como FDA) e a conseguiram no fim de fevereiro, quando realizaram o procedimento.

O ReCell faz com que as células se dividam e se espalhem na pele até se juntarem para cobrir os machucados. “Normalmente, um machucado vai melhorando pelas beiradas, o que leva tempo, mas o spray permite que ele se cure ao todo de uma vez só”, disse Michael Perry, da empresa Avita Medical, que está desenvolvendo o tratamento.

Uma semana depois do procedimento, os médicos descobriram que, apesar de estar avermelhada e um pouco mole, 95% da pele já estava melhor. Segundo os médicos, a pele melhoraria ainda mais ao longo das semanas seguintes.

Via: Revista Galileu