Ao Vivo

Cataratas do Iguaçu registram a menor vazão de água do ano, diz Copel

06/04/2020 às 09:45.

‘Uma das estiagens mais severas dos últimos 50 anos’, disse diretor de meio ambiente da Sanepar. Vazão do Rio Iguaçu nesta quinta-feira (2) representava 17% da vazão média normal nas Cataratas.

O Rio Iguaçu registrou a menor vazão de água do ano, nas Cataratas, nesta quinta-feira (2), em Foz do Iguaçu — Foto: Cassiano Rolim/RPC

O Rio Iguaçu teve a menor vazão de 2020 nesta quinta-feira (5) nas Cataratas do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. A informação é da Companhia Paranaense de Energia (Copel), responsável pelo monitoramento hidrológico do rio.

Até às 14h desta quinta-feira, a Copel registrou a vazão de 259 mil litros de água por segundo, isso representa 17,2% da vazão normal, de 1,5 milhão.

De junho de 2019 até março de 2020, em todos os meses, choveu menos do que a média histórica no Paraná, contou o diretor de meio ambiente e ação social da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), Júlio Gonchorosky.

Ele explicou que a situação é grave não só no Rio Iguaçu, mas em todos os mananciais do estado.

“O Paraná está passando por uma das estiagens mais severas dos últimos 50 anos”, disse.

De acordo com Gonchorosky, a expectativa de melhora para esse cenário ainda não é das melhores. A previsão é de que nos próximos três meses, o máximo que deve acontecer, é de que as chuvas ocorram dentro da média.

A recuperação para esse período de estiagem, conforme o diretor, deve ocorrer apenas nas chuvas de verão.

Paredões de rocha chamam estão expostos e chamam a atenção, no Parque Nacional do Iguaçu — Foto: Cassiano Rolim/RPC

Paredões de rocha chamam estão expostos e chamam a atenção, no Parque Nacional do Iguaçu — Foto: Cassiano Rolim/RPC

Cataratas do Iguaçu

O leito do Rio Iguaçu conta com seis usinas hidrelétricas e nasce na região de Curitiba, atravessa o estado, e deságua em Foz do Iguaçu, nas Cataratas, conforme a Copel.

Por isso, segundo a companhia, é importante chover na região metropolitana da capital do estado para haver reflexo no aumento da vazão do rio.

Em março, a previsão média de chuva para Curitiba era de 129 milímetros, entretanto, foram registrados apenas 12 milímetros.

Em Foz do Iguaçu, a previsão para o mesmo mês era de 128 milímetros de chuva, mas choveu apenas 49 milímetros, segundo a Sanepar.

Desde o final de semana, o volume de água nas Cataratas está bem próximo da grande última seca, registrada em julho de 2006, quando chegou a 245 mil litros de água por segundo, conforme a companhia.

De acordo com a Copel, a última vez que o monitoramento hidrológico registrou a vazão média normal nas Cataratas foi no dia 18 de janeiro de 2020.

O pior período de seca nas quedas d’água, conforme a Copel, ocorreu em maio de 1978. À época, a vazão foi de 114 mil litros de água por segundo.

Conforme o Parque Nacional do Iguaçu, são catalogados 275 saltos, o que dá às Cataratas o título de maior conjunto de quedas d’água do mundo. Além disso, elas são consideradas uma das Sete Maravilhas da Natureza.

Preservação dos recursos hídricos

De acordo com o diretor de meio ambiente, a Sanepar trabalha com programas de preservação dos mananciais de abastecimentos.

Entre as ações realizadas, conforme o diretor, foi criado um plano de segurança de água em Cascavel. O projeto é pioneiro no estado e deverá ser aplicado em outros municípios.

O objetivo do plano é analisar a bacia que abastece a cidade e estudar como está a conservação dela. Dessa forma, a companhia levanta informações sobre a área da mata ciliar e os fatores que podem influenciar na geração de água.

O diretor explicou que o estudo leva em consideração como estão as pressões externas sobre essa bacia, como os loteamentos, indústrias e plantações em torno dela.

Com o plano em mãos, conforme a Sanepar, é possível criar políticas públicas para que o manancial seja preservado e, como consequência, possa ser mantida a capacidade de abastecimento de água daquela cidade.

Quando os fatores são apenas climáticos, como é o caso da estiagem atual, não é possível controlar a situação, segundo o diretor. Por isso, os trabalhos de gestão que envolvem as ações humanas devem ser revistos e implementados com cuidado.

Via: G1