Carteiros temem extinção do cargo após divulgação de comunicado da empresa

21/03/2018 às 08:13.

Depois de perderem na Justiça uma questão relacionada ao plano de saúde oferecido pela estatal, funcionários dos Correios sentem-se ameaçados pela possibilidade de extinção do cargo de carteiro

Carteiros têm medo de perder seus postos de trabalho. Foto: Arquivo

A maré não anda boa para os trabalhadores dos Correios. Depois de perderem na Justiça uma questão relacionada ao plano de saúde, oferecido pela estatal aos funcionários, eles sentem-se ameaçados pela possibilidade de extinção do cargo de carteiro. A empresa nega que o cargo será extinto, mas os trabalhadores entendem o “boato” como forma de ameaça e coação, para que “parem de reclamar” e fazer greve.

Na segunda-feira da semana passada (12), os trabalhadores haviam feito uma paralisação geral, para tentar barrar a decisão da empresa em relação ao plano de saúde, que se tornou mais oneroso aos funcionários. Neste mesmo dia, a alta direção da empresa encaminhou um memorando a outros gestores, informando, entre outras coisas, que os cargos de Operador de Triagem e Transbordo (OTT) e de Carteiro seriam extintas.

A informação causou alvoroço, já que mais da metade dos funcionários dos Correios são carteiros. Três dias depois, a empresa revisou o comunicado, informando que apenas o de OTT já estava extinto e não procede a extinção dos Carteiros. No entanto, para os trabalhadores, o “erro” no memorando foi uma clara forma de ameaça e coação aos trabalhadores, já que o cargo de OTT já estava extinto desde janeiro e não havia motivo para divulgar a informação tão “atrasada”, justamente no dia em que os funcionários estavam em greve.

Mudanças no plano

A estatal estava exigindo que os trabalhadores paguem parte da mensalidade do plano de saúde (antes não pagavam nada), que paguem co-participação em consultas e exames (antes não pagavam), além da exclusão de dependentes (pai e mãe, que antes era permitido incluir no plano).

A greve foi parar no Superior Tribunal do Trabalho (TST), que julgou em favor da empresa, ou seja, os trabalhadores terão que pagar parte das mensalidades, consultas e exames, além de excluírem pais e mães como dependentes, até agosto do ano que vem.

Vai ou não privatizar?

O sindicato da categoria, o Sintcom, diz que a redução do quadro de funcionários (no Paraná já foram extintos 13% dos cargos, desde 2013) e os cortes de gastos feitos nos últimos anos – medidas que, segundo o Sintcom, sucateou a estatal – visam a privatização da empresa. Em nota à Tribuna, a direção dos Correios joga no colo do governo a responsabilidade de decidir se a estatal será ou não privatizada.

Em nota, os Correios informam que:

“A diretoria da empresa trabalha para recuperar e fortalecer os Correios. Para isso, estão sendo adotadas medidas que visam a sustentabilidade da estatal. O equilíbrio financeiro da empresa está sendo buscado por meio de ações como a otimização da gestão, o controle de despesas, a revisão de contratos, a adoção de uma nova política comercial, que permite maior participação dos Correios no segmento de encomendas, e a redução de custos com pessoal e encargos sociais. Quando a direção atual assumiu a gestão dos Correios, a missão que nos foi dada foi de reerguer a empresa, portanto, privatização nunca esteve em pauta. Esse assunto diz respeito a uma decisão de governo.”

Via: Tribuna do Paraná