Cachorros que vivem em terminais recebem caminhas, ração e carinho da população

19/03/2018 às 08:10.

Quem usa o transporte público e passa todos os dias pelos terminais de ônibus de certa forma já os adotou. Eles estão ali, às vezes caminham de um lado para o outro, interagem com as pessoas, mas na maioria do tempo passam deitados, só vendo o movimento. Os cachorros de rua, ou neste caso “cachorros do terminal”, ganharam caminhas de pneu e parecem também ter adotado estes locais como suas casas.

Presença dos animais já virou rotina em quase todos os terminais de Curitiba. Foto: Gerson Klaina

Presença dos animais já virou rotina em quase todos os terminais de Curitiba. Foto: Gerson Klaina

No Terminal do Capão da Imbuia, por exemplo, são cinco camas. “Nós temos aqui quatro cachorros, que são conhecidos e bem quistos pelos passageiros todos. Às vezes, aparece um diferente, fica um ou dois dias e depois vai embora. Eles sabem que estão seguros e têm até a chance de comer bem”, conta o vigilante Vagner de Freitas Pereira.

Há pouco mais de um ano trabalhando no terminal, o Vagner diz que não só ele, mas todos que passam diariamente por ali já se acostumaram com a presença dos cães. “Viraram parte do terminal mesmo. É até estranho quando vemos que um deles não está por aqui”.

Bons amigos

No Capão da Imbuia, os cachorros receberam até nomes: Preta, Rajada, Bolinha e Orelhudo. “Todos foram castrados, vacinados e são monitorados por chip, colocado pela prefeitura”, revela o vigia e parceiro dos cachorrinhos, que contou também que eles são bem educados. “Você pensa que fazem as necessidades aqui dentro do terminal? Negativo, quando sentem vontade, vão para o mato, fazem o que precisam fazer e depois voltam”.

Para quem usa o terminal diariamente, a presença dos cachorros ali não é incômodo. “Vejo de forma positiva, porque percebo que eles são bem queridos e bem tratados, tanto pelos funcionários, quanto pelos passageiros. Nos períodos em que passei no terminal, nunca vi ofereceram riscos a quem passa por ali. Eles sequer deixam sujeira por onde ficam”, avalia o passageiro Henrique de Oliveira.

Luzia diz que todos já estão acostumados com a presença dos cachorros no Capão da Imbuia. Foto: Lucas Sarzi

Luzia diz que todos já estão acostumados com a presença dos cachorros no Capão da Imbuia. Foto: Lucas Sarzi

Da mesma opinião, compartilha a aposentada Luzia Suzuki, de 60 anos. Moradora de Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC), ela passa sempre pelo Capão da Imbuia e já até conhece os bichinhos. “Não me incomoda em nada, mas sinto dó, se eu pudesse, levava para a casa”, diz a mulher, que já adotou dois cachorros de rua e, por isso, não pega mais nenhum. “Mas eu nunca vi ninguém tratando mal, o povo já está acostumado, até mesmo em passar e dar um carinho neles”.

Boa ação

As caminhas foram feitas por protetores, que decidiram adotar o mesmo formato para outros terminais. Além do Capão da Imbuia, os cachorros podem dormir tranquilos também no terminal do Bairro Alto, no Portão, no Vila Oficinas e no Centenário. “Mas a gente acha que as caminhas foram colocadas em outros terminais também”, acredita o vigilante, que contou também que a ração que os cães comem é toda de doação. “Aqui (no Capão da Imbuia), por exemplo, temos um advogado que sempre doa. Assim que começa a acabar, ligamos e ele nos manda um pacote de 25 quilos, mas o povo sempre está ajudando também”.

A prefeitura monitora os cachorros e entende que os terminais não são locais propícios para eles viverem, mas não tem planos de retirá-los de onde estão. À Tribuna do Paraná, a Rede de Proteção Animal informou que os bichinhos estão nos 18 terminais da cidade e que todos estes, que vivem nestes espaços e já são conhecidos, receberam vacinas e são monitorados. Além disso, é feito um acompanhamento também do comportamento dos cães, até mesmo para que sejam retirados àqueles que acabem sendo mais agressivos.

Cachorros ganharam caminhas e ração por meio de doações e do trabalho dos protetores de animais. Foto: Gerson Klaina

Cachorros ganharam caminhas e ração por meio de doações e do trabalho dos protetores de animais. Foto: Gerson Klaina

Via: Tribuna do Paraná