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Biarticulado da Solidariedade servirá refeições para a população de rua de Curitiba

03/07/2017 às 08:47.

As pessoas em situação de rua que circulam pela região central de Curitiba têm um novo espaço para se alimentar. É o Expresso Solidariedade, um ônibus adaptado que funciona como um refeitório móvel e circulará pela cidade para a distribuição de refeições. O ônibus foi inaugurado na noite desta quinta-feira (29/6), pelo prefeito Rafael Greca e a primeira-dama, Margarita Sansone, e teve sua primeira parada no Mercado Municipal, onde atendeu 130 pessoas com refeições distribuídas pelo terreiro de umbanda Casa da Vovó Benta.

“O Expresso Solidariedade vai andar pelas praças de Curitiba e oferecer comida. A cidade agradece, a cidade quer que todo mundo saia da rua e a cidade quer ser a casa humanitária de todos. Temos sofrido para colocar Curitiba a funcionar, mas vamos conseguir com a ajuda de Deus. Nesta noite de São Pedro tem festa em Curitiba, a festa da solidariedade”, explicou o prefeito. Greca destacou que a ideia do Expresso Solidariedade foi da primeira-dama, em conjunto com a diretora de Atenção à População de Rua da Fundação de Ação Social (FAS), Maria Alicer Erthal.

O prefeito agradeceu aos representantes da Casa da Vovó Benta a participação no projeto. “É uma demonstração que todas as religiões afrobrasileiras também têm uma forte vertente cristã e de respeito ao ser humano”, disse.

Projeto

O Expresso Solidariedade permitirá a organização da distribuição de refeições que é feita diariamente nas ruas de Curitiba por voluntários ligados principalmente a entidades religiosas e grupos comunitários. A partir de agora, esses grupos poderão usar o ônibus para servir as refeições, que até então eram servidas nas calçadas e praças.

Com produto de limpeza para a higienização das mãos, mesas e cadeiras, o ônibus oferece à população de rua um local onde ela pode se alimentar com dignidade, protegida da chuva e do frio. O veículo tem capacidade para acomodar até 40 pessoas ao mesmo tempo.

Além de se alimentarem, as pessoas em situação de rua receberão atendimento assistencial e, se necessário, encaminhamentos para outros serviços municipais, como o Consultório na Rua e acolhimento. Uma equipe do resgate social acompanhará o ônibus para encaminhar as pessoas que aceitarem acolhimento.

Todos os dias da semana, das 20 às 24 horas, o veículo ficará estacionado em um ponto da cidade, onde os voluntários farão o servimento das refeições. Os grupos farão parte de uma escala para atendimento da demanda. Inicialmente, o atendimento acontecerá nas praças Rui Barbosa, Carlos Gomes, Tiradentes, Ouvidor Pardinho, Eufrásio Correa, Santos Andrade e na esquina das ruas Doutor Reynaldo Machado com Engenheiros Rebouças.

A Fundação de Ação Social (FAS), que integra o projeto municipal, já cadastrou 47 grupos que distribuem alimentos à população de rua de Curitiba. Juntos, eles servem aproximadamente 400 refeições diariamente, a maioria marmita, risoto e sopa.

O Expresso Solidariedade é resultado de um projeto intersetorial que envolve as secretarias municipais da Agricultura e Abastecimento; Saúde; Meio Ambiente; Defesa Social; Fundação de Ação Social e a Urbanização de Curitiba (Urbs). Juntos, esses órgãos desenvolverão no ônibus ações de educação alimentar e ambiental e de proteção do cidadão.

O projeto contou com a parceria da Associação dos Comerciantes Estabelecidos no Mercado Municipal de Curitiba (Ascesme), que pagou o serviço de adaptação do ônibus em refeitório, um investimento de R$ 13,8 mil.

O secretário municipal da Agricultura e Abastecimento (Smab), Luiz Gusi, explicou que, além de buscar o apoio da Ascesme para o projeto, o órgão mobilizou toda a sua estrutura para oferecer mais segurança alimentar e nutricional para as pessoas em situação de rua. “A Gerência de Educação Alimentar e Nutricional da Smab irá capacitar em boas práticas na manipulação de alimentos os voluntários responsáveis pelo preparo, recebimento e distribuição de alimentos servidos no Expresso Solidariedade”, contou.

Gusi lembrou que, muitas vezes, a população de rua conta somente com os alimentos oferecidos pela Prefeitura como refeição diária. “Por isso, temos que orientar os voluntários em relação ao aporte calórico, aos benefícios nutricionais dos ingredientes e à alimentação balanceada”, justificou.

Sensibilizados

O presidente Associação dos Comerciantes Estabelecidos no Mercado Municipal de Curitiba (Ascesme), Mario Shiguemitu Yamasaki, explicou que os empresários que fazem parte da entidade apoiam a iniciativa da Prefeitura de resgatar as pessoas em situação de rua e que, por isso, se mobilizaram para levantar o recurso necessário para a adaptação do ônibus. “Todos nós que atuamos no Mercado Municipal estamos sensibilizados com a situação dos moradores de rua. Precisamos, realmente, nos unir para oferecermos mais dignidade para essas pessoas”, justificou.

Yamasaki agradeceu ao prefeito Rafael Greca por incluir o Mercado Municipal como um dos pontos de servimento das refeições do Expresso Solidariedade. “Temos observado com muita preocupação que as áreas próximas e, mesmo, a parte externa do Mercado Municipal, têm se tornado pontos de concentração de moradores de rua. Só mesmo uma iniciativa como essa da Prefeitura poderá resgatar essas pessoas”, avaliou o presidente da Ascesme, acrescentando que questões como higiene e segurança, de certa forma, interferem no comércio do Mercado Municipal. A Ascesme reúne os 195 comerciantes.

Usuários

Ricardo Albuquerque, representante da Casa da Vovó Benta, contou que há um ano e meio integrantes do terreiro preparam refeições para distribuir à população de rua. São 130 refeições por dia, distribuídas de segunda a sexta-feira, em cinco pontos da cidade. “A ideia do ônibus é muito boa porque vai organizar a distribuição. Sabemos que hoje há muitos grupos que levam comida todos os dias aos principais pontos da cidade. Um ponto chega a receber alimentos de vários grupos em uma única noite e isso faz com que aconteça desperdícios”, disse.

Bryan Rodrigues, 23 anos, foi um dos primeiros a usar o Expresso Solidariedade. “É um trabalho caridoso. É muito bom poder sentar e jantar, bem melhor do que comer na calçada”, elogiou.

Via: XV Curitiba