Beto Richa pode perder seu último reduto de poder: o PSDB

06/12/2018 às 08:44. Comente esta notícia!

Há um bom tempo as eleições internas do PSDB do Paraná têm sido conduzidas sem grandes surpresas. Com Beto Richa enfileirando mandatos na prefeitura de Curitiba e no governo do estado, seu comando era insuperável dentro da legenda. A derrocada do ex-governador – atual presidente do partido – e o desempenho pífio do PSDB nas eleições deste ano reconfiguram esse cenário. Na disputa pelo comando da Executiva Estadual, que acontece no começo de maio de 2019, uma ala mais jovem quer destronar Richa.

Foto: Reprodução/Facebook/Beto Richa

Nesse grupo estão algumas lideranças internas e também tucanos com mandato eletivo, como o prefeito de Ponta Grossa, Marcelo Rangel, o vice-prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, e os deputados estaduais Paulo Litro e Evandro Junior. O grupo afirma ter respeito pela trajetória de Richa, mas defende que seu ciclo no partido acabou.

Na avaliação de um dos membros dessa nova ala, diante da derrota eleitoral em 2018, o PSDB precisa se renovar.  O entendimento do grupo é claro, o envolvimento de tucanos de destaque como Aécio Neves e Beto Richa em casos de corrupção foi desastroso para o desempenho eleitoral da legenda.

“O recado foi muito claro. O PSDB encolheu por ter posicionamentos errados e por estar envolvido em corrupção. Queremos mostrar que dentro do partido no Paraná tem pessoas novas, com boas intenções”, afirma um dos jovens sobre a intenção do grupo.

“Vamos expor nas próximas reuniões que temos objetivo de assumir o comando da Executiva. Se não chegarmos a um entendimento, vamos lançar uma chapa de oposição”, diz.

No horizonte do grupo estão as eleições de 2020 e 2022. Na disputa municipal, há tucanos que cogitam a hipótese de lançar Eduardo Pimentel, atual vice-prefeito de Curitiba, à disputa pelo comando da capital. Já em 2022 a ideia é ter uma chapa forte para reconquistar o espaço que o PSDB perdeu na Assembleia Legislativa.

A organização dos tucanos paranaenses não é isolada. Essa disputa da juventude pelo comando do partido ocorre em outros estados e também em nível nacional. Quem impele esse movimento é o governador eleito de São Paulo, João Dória, que apesar de não ser novato na política consegue se alinhar aos “cabeças pretas”, que fazem oposição aos “cabeças brancas”. A referência, claro, é a cor dos cabelos. Outra liderança tida como exemplar pelo grupo que pretende assumir o PSDB do Paraná é o governador eleito do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

Com o esvaziamento do poder político de Richa, poucos nomes entre os “cabeças brancas” têm poder para barrar essa tentativa de tomada de poder. Entre eles estão o atual presidente da Assembleia Legislativa, Ademar Traiano, que é vice-presidente do PSDB; Michele Caputo Neto, deputado estadual eleito que ocupou por muito tempo a secretaria de Saúde do estado sob o comando de Richa.

Outras lideranças partidárias que por muito tempo tiveram muito poder entre os tucanos viram sua influência diminuir após a queda de Richa. Entre eles estão, por exemplo, Fernando Ghignone, Juraci Barbosa Sobrinho e também membros da família Richa, como Fernanda, esposa de Beto, e Marcello, filho do ex-governador.