Bebê luta pela vida após três cirurgias e cinco cateterismos: ‘Sugeriram abortar’

08/04/2019 às 08:13.
Ilker nasceu com cardiopatia congênita e fez sua primeira cirurgia com três dias de vida — Foto: Arquivo Pessoal

Ilker nasceu com cardiopatia congênita e fez sua primeira cirurgia com três dias de vida — Foto: Arquivo Pessoal

Ilker Achiles de Azevedo tem apenas um ano, mas já enfrentou e venceu cinco cateterismos e três cirurgias no coração. A mãe do menino descobriu que ele era portador de uma cardiopatia congênita aos quatro meses de gestação e, segundo ela, chegou a ouvir que o melhor seria abortar. Com um ano, Ilker e a família lutam diariamente pelo direito de viver.

Taiane de Jesus tem 24 anos e Ilker é seu segundo filho. Já seu marido, Diogo Achiles, tem 33 anos e vive a experiência de ser pai pela primeira vez. Os pais de Ilker, moradores de Santos, no litoral de São Paulo, descobriram, por meio de diferentes médicos, que o nascimento do bebê seria mais conturbado do que o esperado.

“Descobrimos a cardiopatia quando fiz o primeiro ultrassom morfológico. Os médicos vieram conversar com a gente e o clima já era de desesperança, desacreditado. Disseram que ele continuaria vivo na minha barriga, mas depois a vida dele dependeria do sistema de saúde”, relembrou.

Cicatriz no peito lembra cirurgia de peito aberto realizada com menos de um ano de vida — Foto: Arquivo Pessoal

Cicatriz no peito lembra cirurgia de peito aberto realizada com menos de um ano de vida — Foto: Arquivo Pessoal

Segundo Taiane, ela chegou a ouvir que o melhor seria abortar o bebê, mas a hipótese foi ignorada. “Nunca passou pela minha cabeça. Desde o começo decidimos que íamos enfrentar isso. Pelos médicos, pelas pessoas, ele não sobreviveria”, lamenta.

Ilker nasceu em um hospital de Santos no dia 15 de fevereiro de 2018 e, com três dias de vida, foi transferido para o Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, onde fez a primeira cirurgia com apenas seis dias. “A cirurgia foi o que eles chamam de ‘peito aberto’. Fizeram um corte no peito dele e fizeram os procedimentos para que o coraçãozinho dele pudesse funcionar e ele conseguisse viver”, conta a mãe.

A segunda cirurgia teve de acontecer no dia seguinte, pois a primeira não foi bem sucedida, o que deixou os pais ainda mais apreensivos. Apesar da dificuldade, após a segunda cirurgia Ilker reagiu bem e recebeu alta. Em fevereiro de 2019, antes de completar um ano, o bebê precisou passar pela terceira cirurgia.

Mãe diz que, apesar das dificuldades, Ilker não perde o sorriso — Foto: Arquivo Pessoal

Mãe diz que, apesar das dificuldades, Ilker não perde o sorriso — Foto: Arquivo Pessoal

“Deu tudo certo, mas desde então, desde que ele nasceu, já passamos por cinco cateterismos. Três só depois dessa última cirurgia. Quem olha pra ele não diz que ele já passou por tanta coisa, ninguém acredita quando a gente fala. Apesar de tudo, seguimos firmes e fortes acreditando que Deus fará um milagre na vida do nosso filho. Não desistiremos”, diz a mãe.

Cardiopatia Congênita

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a cardiopatia congênita é qualquer anormalidade na estrutura ou função do coração que surge nas primeiras oito semanas de gestação, quando se forma o coração do bebê.

Normalmente, ela ocorre por uma alteração no desenvolvimento embrionário da estrutura cardíaca, mesmo que descoberto anos mais tarde. As cardiopatias congênitas mais comuns incluem alteração em alguma válvula cardíaca, que influencia no fluxo sanguíneo dificultando ou impedindo sua passagem, alterações nas paredes do coração levando a comunicações cardíacas que não deveriam existir e mistura do sangue oxigenado com o não oxigenado ou ainda a formação de um único ventrículo. Pode ainda haver a combinação de malformações.

Cerca de 28 mil crianças nascem com má formação cardíaca todos os anos no Brasil. Muitas delas vão do parto direto para a UTI. Segundo especialistas, não existe uma causa bem definida que possa explicar as cardiopatias congênitas.

Na maioria dos casos, cerca de 80%, não há explicação. Quanto mais cedo os pais souberem, melhor. Por isso a importância do pré-natal. Quando bem feito é possível identificar o problema intraútero e se preparar para o tratamento assim que o bebê nascer.

Via: G1