Bebê de 1 ano ingere removedor de esmalte enquanto família faz faxina

19/02/2019 às 09:17.

A família de Patrícia Oliveira estava aproveitando o sábado (16) para fazer uma faxina em casa, quando a filha dela, Clara, 1 ano e 6 meses, pegou um frasco de removedor e virou na boca. “Estávamos limpando e, em certo momento, parei para o almoço. Já eram quase duas da tarde. Minha sobrinha estava usando o removedor na sala e, em um descuido, questão de dois segundos, Clara pegou e levou diretamente para a boca e encheu”, conta a mãe, em entrevista a CRESCER. “Minha outra sobrinha tomou o frasco dela e nos chamou. Ela estava com a boca cheia e minha mãe pediu que ela colocasse pra fora. Aí ela engoliu e o desespero começou”, relata. O caso aconteceu em Guarulhos, na grande São Paulo.

Os momentos seguintes foram de pânico. “Começou a faltar ar para ela. Clara arregalava os olhos. Fiquei sem reação e, então, ela teve o primeiro desmaio. Ela voltou, tentava puxar ar e não conseguia. Aí veio meu maior desespero: ela ficou toda roxa, fechou os olhinhos e desmaiou novamente. Achei que, ali, ela não iria voltar”, lembra.

Foto: Arquivo pessoal / Patricia Oliveira

Como a pequena não conseguia respirar, a avó fez a manobra de colocá-la no colo, de bruços, e dar alguns tapinhas nas costas, na tentativa de desobstruir as vias aéreas. Deu certo! “Corremos para o hospital, mas, lá, não fizeram lavagem, nem nada. Ela só ficou em observação e foi liberada depois de duas horas”, diz Patrícia. Para se certificar, a família levou a garota em outro hospital. O médico disse que o certo seria fazer a lavagem, mas isso não poderia mais acontecer por causa do tempo que já tinha transcorrido. “Com as horas da ocorrência, o produto já havia sido absorvido. Ele passou medicação para dor, porque ela estava reclamando, e outra para não vomitar e para impedir que a substância fosse para o pulmão. Além disso, colocou soro na veia para hidratar e limpar um pouco. Ela ficou em observação por mais um tempo, tomou uma sopa e foi liberada, para continuarmos a medicação em casa”, explica a mãe.

Segundo Patricia, agora, Clara passa bem, mas ela faz questão de compartilhar o alerta, na tentativa de evitar que outras famílias vivam situações parecidas. “Foi um susto tremendo. Até agora choro ao lembrar da cena. Não desejo o que eu passei para ninguém”, completa.

O que fazer em caso de intoxicação?
As consequências da manipulação ou ingestão dos itens de limpeza pelas crianças vão desde simples enjoos até  ocorrências mais graves, como queimadura, congestão respiratória e parada cardíaca.

Para evitar que seu filho tenha contato com produtos de limpeza, mantenha-os sempre em locais altos e em embalagens adequadas. Evite, por exemplo, a compra de produtos de fabricação caseira que, geralmente, são acondicionados em garrafas pet. Eles podem ser confundidos com refrigerantes.

Se, ainda assim, a criança tiver contato com algum destes itens, a orientação é tentar manter a calma e ligar para o centro de intoxicação mais próximo, explicando o que aconteceu. Em São Paulo, o número é 0800-148110. Em outras cidades, basta ligar para o disque-intoxicação (0800-7226001) para ser direcionado ao centro mais proximo. Na impossibilidade de conseguir contato com um centro, busque ajuda no Corpo de Bombeiros (193).

“É importante não oferecer água ou leite para o intoxicado, pois, em vez de diluir a substância, eles acabam espalhando e tornando a lesão muito maior”, ressalta o toxicologista Anthony Wong, diretor médico do Centro de Assistência Toxicológica do Hospital das Clínicas da USP.