Bariátrica não é mágica e precisa seguir critérios

23/11/2018 às 09:19. Comente esta notícia!

A cirurgia de redução do estômago tem se popularizado no Brasil. Segundo a mais recente pesquisa da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, foram realizados 105.642 mil procedimentos na rede privada no ano de 2017. Apesar de ter se tornado grande aliada de quem quer emagrecer, a gastroplastia (bariátrica) não é mágica.

A operação pressupõe critérios e cuidados específicos no pré e no pós-operatório. Por isso, não é recomendada para todos. Para que seja feita, é preciso avaliar fatores como índice de massa corpórea, idade e doenças associadas. Além disso, o paciente só estará apto se for obeso há pelo menos dois anos.

— O índice de massa corporal (IMC), que consiste na fórmula “peso dividido por altura ao quadrado (ou peso/altura x altura)”, é o maior indicador para realização das cirurgias. Pacientes com IMC maior ou igual a 40 ou acima de 35 com doenças associadas são classicamente indicados ao procedimento — explica Sergio Alexandre Barrichello Junior, gastroenterologista do Hospital Albert Sabin.

Existem diferentes métodos de intervenção: a banda gástrica, menos invasiva; a gastrectomia vertical, que remove parte do estômago, reduzindo a quantidade de comida armazenada; e o bypass gástrico, que, além de diminuir o estômago, cria um desvio no intestino.

— Na banda gástrica, é colocado um anel no estômago. É pouco usada, porque não altera o mecanismo de fome e saciedade. Na segunda, uma parte do estômago é retirada, alterando um pouco a fome. Já o bypass é a técnica “padrão ouro”. É reversível e reduz a fome do paciente, melhorando a sensação de saciedade, pois o alimento chega mais rapidamente ao intestino — explica Cid Pitombo, coordenador do Programa de Cirurgia Bariátrica do estado.

Como se candidatar

Segundo a Secretaria estadual de Saúde, para se candidatar à gastroplastia pelo SUS, é preciso procurar uma Clínica da Família perto de casa para que um médico avalie. Se a operação for indicada, o profissional vai solicitar uma 2ª avaliação à Central de Regulação de Cirurgia Bariátrica do Estado, que encaminha o pedido. O paciente é contatado e tem consulta marcada.Rodrigo mostra sua evolução um ano depois de fazer a cirurgia bariátricaRodrigo mostra sua evolução um ano depois de fazer a cirurgia bariátrica Foto: Reprodução

“Precisei entender que eu não era magro, mas um gordo em reeducação alimentar diária”

Rodrigo Cruz, consultor comercial de 38 anos

Eu pesava 150 quilos e estava com problemas nas minhas articulações, do lado esquerdo do fêmur tive um desgaste de 40% da cartilagem. Me sentia cansado com frequência, tinha falta de ar quando subia as escadas para a minha casa. Tinha dificuldade para comprar roupas, arrumar emprego e até para amarrar meus sapatos. Nunca tive problema de autoestima, mas optei pela operação por questão de saúde. Assim que fui chamado para iniciar o processo, parei de tomar refrigerante. Dois meses depois de operar, pude parar com meu remédio para a pressão. Meu manequim era 66 e um ano depois da operação, pude comprar uma calça 46, blusas, bermudas e cuecas M. Tenho uma vida nova com uma saúde que eu achava que nunca teria. As pessoas precisam se conscientizar sobre o problema da obesidade. Depois de operado, precisei entender que eu não era magro, mas um gordo em reeducação alimentar diária. Caso contrário, de nada adianta.