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Bailarinos brasileiros conquistam vaga em escola de dança na Bélgica

19/06/2019 às 08:51.

Da Maré para o mundo. É assim que Marllon Araújo, de 23 anos, e Luyd de Souza Carvalho, 22, pretendem dar seus passos. E num futuro não muito distante.

Moradores do Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, os dois foram selecionados para o quadro de alunos da P.A.R.T.S., escola de Bruxelas, Bélgica, reconhecida mundialmente como referência no ensino de dança contemporânea.

Entre 1.196 candidatos, a dupla ocupará duas das 45 vagas a partir de outubro.

  Luyd de Souza Carvalho e Marllon Araújo são moradores da Maré e vão morar em Bruxelas para fazerem um curso de formação em dança contemporânea — Foto: Marcos Serra Lima/G1

Luyd de Souza Carvalho e Marllon Araújo são moradores da Maré e vão morar em Bruxelas para fazerem um curso de formação em dança contemporânea — Foto: Marcos Serra Lima/G1

Para Marllon, a conquista vai muito além de uma boa oportunidade de aprender novas técnicas.

“Eu fiz a audição da P.A.R.T.S. em 2016 e não fui selecionado. Desde então, viver de dança virou o meu sonho. E em três anos eu me preparei, tanto como pessoa como bailarino, para poder fazer de novo a audição. Hoje, estou entre os selecionados para participar da formação de três anos e para ter um diploma internacionalmente reconhecido em bacharelado de dança. Acredito que vou ganhar mais experiência tanto na dança como também em outras línguas.”

Marllon Araújo, de 23 anos, abandonou uma vaga no Ministério Público para seguir o sonho de dançar — Foto: Marcos Serra Lima/G1

Marllon Araújo, de 23 anos, abandonou uma vaga no Ministério Público para seguir o sonho de dançar — Foto: Marcos Serra Lima/G1

A poucos passos de realizar seus sonhos, os jovens moradores da Maré se organizaram para, economicamente, dar conta da viagem. Eles embarcam dois meses antes do início do curso para aperfeiçoar o inglês em nível avançado, exigência da escola.

“A gente conseguiu as passagens, mas ainda não existe dinheiro para nos manter lá. São dois meses morando lá com custos e custos altos. A gente está indo mais cedo para fazer um curso de inglês, porque nosso nível não é o que a escola exige”, conta Luyd, que organizou com o companheiro de viagem oficinas de dança para levantar o dinheiro necessário.

“As oficinas de dança surgiram como uma opção para ajuda financeira. E a gente vai sair da Maré para o mundo”, completa.

 Luyd de Souza Carvalho e Marllon Araújo foram selecionados entre quase dois mil candidatos e conquistaram duas vagas em uma escola internacional de dança na Bélgica — Foto: Marcos Serra Lima/G1

Luyd de Souza Carvalho e Marllon Araújo foram selecionados entre quase dois mil candidatos e conquistaram duas vagas em uma escola internacional de dança na Bélgica — Foto: Marcos Serra Lima/G1

A dança que muda vidas

Além da oportunidade de estudo no exterior, outra coisa une a vida de Marllon e Luyd: o Centro de Artes da Maré.

“Acho que o Centro de Artes é uma máquina de construir novas possibilidades. Lá tem muita informação que a gente não encontra em qualquer outro lugar da comunidade. É informação que vem de fora e que não chega fácil a todo mundo. É informação sobre cultura, sobre direitos, informações básicas até”, diz Marllon.

Mesmo indo para outro país, Luyd quer ter a oportunidade de aplicar todo o conhecimento que vai adquirir e mudar a realidade de outros jovens da comunidade.

“O meu objetivo é voltar dessa formação direto para a Maré. Quando você encontra um lugar que você chama de lar, mesmo diante de ameaça da violência e tudo mais, você não troca por nada. E eu não consigo me ver morando em outro lugar, longe do meu lar.”

Luyd de Souza Carvalho, de 22 anos, começou a dançar aos 14 anos no Centro de Artes da Maré — Foto: Marcos Serra Lima/G1
Via: G1