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Atraso no depoimento de Lula dá “mais tempo” para manifestações, dizem grupos de esquerda

27/04/2017 às 08:50.

Frente Brasil Popular espera “mais de 50 mil” em Curitiba e vê tentativas de “criminalização de movimentos sociais”  

 | PEDRO SERAPIO/PEDRO SERAPIO

PEDRO SERAPIO/PEDRO SERAPIO

Líderes da Frente Brasil Popular, entidade que no Paraná reúne 32 sindicatos de trabalhadores e movimentos sociais, disseram nesta quarta-feira (26) que o adiamento do depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o próximo dia 10 dará mais tempo para que se organizem manifestações em apoio ao petista, e que “mais de 50 mil pessoas” devem vir a Curitiba.

“[Com a mudança] Os militantes terão que se reorganizar, transferir passagens, viagens. Ganhamos mais tempo para nos organizarmos. Isso não interfere em nossa mobilização”, afirmou Roni Anderson Barbosa, secretário nacional de Comunicação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), numa entrevista à imprensa concedida na sede do Sindicato dos Jornalistas do Paraná.

Apesar da entrevista ter começado por volta das 11h10, e do despacho de Sergio Moro que transferiu o depoimento de Lula estar anexado ao processo –que é público– desde as 10h40, Barbosa tratou o adiamento como um “boato difundido pela imprensa”.

Houve críticas a Moro, a quem Barbosa — sem mencionar nominalmente — acusou de fazer um “jogo político-midiático, buscando holofotes em vez de se ater aos autos”. Levantou-se suspeitas contra o jornal “Folha de S. Paulo”, que antecipou, na segunda-feira, a possibilidade de que o depoimento fosse adiado a pedido da Polícia Federal –o que de fato ocorreu. Para os militantes, houve vazamento de informações do processo, que deveria ser investigada.

Mesmo com o adiamento da vinda de Lula, uma programação de eventos culturais e debates políticos, na Boca Maldita, está mantida pela Frente para os próximos dias 2 e 3.

“Tentativas de criminalizar protestos”

A Frente Brasil Popular informou que pediu audiência com o secretário da Segurança Pública, Wagner Mesquita de Oliveira –que, em ofício enviado a Moro, corroborou o pedido para que o depoimento de Lula fosse adiado, por conta de “notícias de possível deslocamento de movimentos populares para essa capital em virtude da semana de comemoração do Dia do Trabalhador, o que pode gerar problemas de segurança pública, institucional e pessoal”.

Os militantes veem na afirmação o “intuito de de criminalizar movimentos sociais que buscam direitos”, nas palavras de Barbosa. “Estaremos com ele [o secretário] na sexta-feira, às 14h. Esperamos que a Polícia Federal também esteja. Queremos tratar da segurança da militância, que decidiu acompanhar este momento junto com presidente Lula”, disse o secretário da CUT.

Na audiência, Mesquita deverá receber da Frente Brasil Popular cópias de mensagens de áudio que, segundo os militantes, partem de partidários da “direita reacionária” e fazem “ameaças de violência e terrorismo”. “Queremos que se investiguem os autores desses áudios ameaçadores e tomem medidas para que não se crie terrorismo na cidade. Nossa preocupação é com programação alegre e festiva, com programação cultural e debates políticos. Nunca tivemos problemas com relação à segurança em nossos movimentos. Nos preocupam possíveis infiltrados”, falou Barbosa.

“Estão tentando criminalizar a Frente. Vamos às ruas defender nosso direito de nos manifestarmos, e esperamos do Estado a segurança para isso. Respeitamos a cidade. Fizemos uma grandes manifestações em março e tudo correu bem. Estar na rua é nosso direito”, atalhou Anaterra Viana, outra líder da Frente Brasil Popular no Paraná.

“A tentativa de desestabilizar movimento não vai funcionar. Pelo contrário, mostra que estamos criando um efeito. Ninguém está falando em vir aqui fazer mal a quem quer que seja, mas em lutar por todos e por Lula, que é um símbolo. As pessoas que se sentiram golpeadas pelo impeachment vão às ruas dizer que não sentem que a democracia está vigindo. As pessoas de quem discordamos foram às ruas. É justo que possamos fazer o mesmo”, argumentou Melina Pugnaloni, da Frente Resistência Democrática, também presente à entrevista.

No despacho em que adiou o depoimento de Lula, Sergio Moro anota que “manifestações são permitidas desde que pacíficas”. “Havendo, o que não se espera, violência, deve ser controlada e apuradas as responsabilidades, inclusive de eventuais incitadores”, afirmou o juiz.

Outro lado

Em nota, a Secretaria Estadual da Segurança Pública informou que o pedido de adiamento da vinda de Lula “faz parte do planejamento de segurança das forças policiais, uma vez que já estava previsto o deslocamento de uma grande quantidade de pessoas para Curitiba em virtude das comemorações do dia 1º de maio”.

“O planejamento para o esquema de segurança foi desenvolvido, sim, em conjunto pelas forças de segurança participantes [polícias Federal e Rodoviária Federal e Guarda Municipal, além das polícias Militar e Civil]. Pela natureza da ação, detalhes não foram nem serão divulgados. A Secretaria reforça que está preparada para qualquer possível cenário e para garantir a ordem, de forma tranquila e pacífica, a qualquer evento que possa ocorrer em todas as localidades do estado”, diz o texto.

Via: Gazeta Do Povo