Após morte de melhor amigo, garoto de 12 anos arrecada R$ 10 mil para pagar funeral

14/12/2018 às 09:23.

Quando Kaleb Klakulak começou a segunda série em Warren, Michigan (EUA), ele era o garoto novo da escola. Seus pais tinham acabado de se divorciar e Kaleb era muito tímido e não conseguia fazer amigos facilmente.

Então ele conheceu KJ Gross, um garoto tão tímido quando Kaleb.

“Foi divertido porque ele gostava de quase tudo que eu também gostava”, disse Kaleb.

Os dois garotos, tímidos, introspectivos e de natureza doce, começaram a sair juntos e dali nasceu uma bela amizade.

“Eles eram como gêmeos juntos”, disse a mãe de KJ, LaSondra Singleton.

Então, quando KJ morreu em maio deste ano, vítima de insuficiência cardíaca congestiva após uma longa batalha contra a leucemia, Kaleb ficou arrasado. E quando o garoto, agora com 12 anos, descobriu que a família de KJ não poderia pagar pela lápide do túmulo de seu amigo, ele fez um compromisso determinado de que iria ajudar.

Um vínculo inseparável

A mãe de Kaleb, Kristy Hall, lembra que “foi incrível quando KJ entrou em nossas vidas. Ele era um garoto incrível”.

Os dois meninos passavam o dia juntos, especialmente jogavam videogames.

“Eu acho que eles gostavam um do outro porque se entendiam muito bem”, disse ela. “Ambos podiam ser eles mesmos sem medo de julgamentos ou não se preocupavam em impressionar um ao outro.”

E suas mães também se uniram.

“Nós éramos mães solteiras na época, compartilhando nossas histórias e nos confortando umas com as outras”, disse Hall.

Pouco importava para Kaleb que seu melhor amigo tivesse limitações. KJ foi diagnosticado com leucemia quando criança e foi submetido a várias cirurgias ao longo de sua vida. Ele lutava contra alergias severas e não podia de casa muitas vezes.

“Quando KJ não podia sair para jogar, Kaleb vinha à nossa casa e brincava”, disse Singleton. “Eles eram absolutamente inseparáveis ​​do começo ao fim da amizade.”

Mas em dezembro passado, uma reviravolta brusca ocorreu. KJ foi parar no hospital com insuficiência cardíaca congestiva, e os médicos o prepararam para um transplante.

“Eu trazia Kaleb lá [no hospital] uma vez por semana que eles pudessem pintar ou jogar alguma coisa juntos”, disse Hall. “O hospital meio que dobrou as regras um pouquinho para Kaleb, então seu melhor amigo podia passar um tempo com ele.”

‘Mãe, quanto custa uma lápide?’

Um dia em maio deste ano, Singleton ligou para Hall e Kaleb, avisando-os que o pior tinha acontecido.

Eles chegaram ao leito de KJ, e notaram que ele estava inconsciente. Kaleb disse adeus ao amigo.

A mãe de KJ, que havia deixado seu emprego em uma lanchonete de escola meses antes para cuidar de seu filho, ficou arrasada.

Ela enterrou seu filho em um lote familiar do cemitério municipal, mas não podia pagar por uma lápide. Ao mesmo tempo, ela também estava lidando com os estágios iniciais da doença de Alzheimer da mãe.

Kaleb, igualmente arrasado pela perda, queria fazer algo para ajudar a mãe de seu falecido amigo, de modo que ela se sentisse melhor.

“Ele começou a dizer coisas como: ‘Mamãe, quanto custa uma lápide?’”, lembrou Hall.

O garoto começou a fazer bicos para arrecadar dinheiro. Ele também coletava garrafas de refrigerante – milhares delas, e vendia nos centros de reciclagem. Um amigo de sua mãe orientou os moradores do bairro para ajudarem na coleta, guardando suas garrafas num ponto comum. Hall levava o filho pelos pontos de coleta e visitando diversas casas para encher o porta-malas com garrafas PET, levando-as no centro de reciclagem e trocando por dinheiro.

Hall também criou uma conta do PayPal, pedindo doações para a lápide. O objetivo final de arrecadação foi definido em US$ 2.500 (R$ 10 mil).

Uma resposta esmagadora

Doações rapidamente começaram a surgir. Então, Kaleb e sua mãe pediram à mãe de KJ que viesse visitá-la. Eles entregaram US$ 900 (R$ 3.400) para a compra da lápide.

“Chorei porque foi inesperado. Chorei porque estou tentando redescobrir como viver minha vida”, disse Singleton à CNN. “Eu posso ver o lugar de descanso final dele. Eu tenho um lugar onde eu posso ir e ficar com ele.”

Ela disse à CNN que fala de “quão genuíno e lindo o coração de KJ era”, porque ele atraiu pessoas como Kaleb.

“É uma coisa agridoce porque me ajuda a lidar com tudo isso”, disse ela.

As doações continuaram chegando – um total de cerca de US$ 2.500 foi levantado. Ou seja, o objetivo de Kaleb foi alcançado, e eles entregaram a quantia para a mãe de KJ.

Ao mesmo tempo, Kaleb está passando por um momento difícil sem seu melhor amigo.

“Ele está sem seu companheiro, seu melhor amigo”, disse Hall. “Eu acredito que é difícil para ele porque ele está com medo; não quer perder outra pessoa.”

Singleton diz que espera que a história dos meninos ajude a curar um pouco da divisão nos Estados Unidos neste momento.

“Em um momento no mundo em que há tanta divisão e ódio, espero que isso traga algum tipo de união e enfraqueça as teorias que nos dividem – que as pessoas sejam capazes de enxergar o próximo sem se importar com a raça ou cor da pele”, disse ela.

“O importante é nos amarmos.”