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Após mais de um ano internada, criança com paralisia cerebral é adotada

10/06/2020 às 08:38.

Em meio à pandemia do coronavírus, é difícil não se deparar com uma enxurrada de notícias ruins. No entanto, às vezes, é possível aquecer o coração com alguns bons acontecimentos. Foi o que aconteceu com um menino de 2 anos. Há um ano e meio, ele ficou internado na Santa Casa de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, devido à sua paralisia cerebral e outras complicações de saúde. Mas, no último dia 29 de maio, o paciente, que estava na lista de adoção, deixou o hospital e foi para a casa da sua nova família.

Segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa, os pais adotivos da criança são de outro estado, por isso os profissionais de saúde se mobilizaram para fazer a transferência do menino por meio de um Táxi Aéreo, que conta com uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva). O termo de adoção foi assinado dentro do hospital na presença da juíza da Vara da Infância.

A mãe relata que há 23 anos sua família está engajada com a adoção. Ela já é mãe de cinco crianças, quatro delas também adotadas. “Nossos planos são muitos, mas principalmente proporcionar a ele uma vida em família com direito a muito colo, beijinhos, carinho, passeios, além do cuidado com suas necessidades e acima de tudo o nosso maior plano que é de estarmos juntos sempre”, disse. A mãe ainda explica que o desejo de adotar mais uma criança veio depois de uma experiência traumática, em que ele perdeu uma filha.

A DESPEDIDA 

Foram  554 dias que o menino ficou no hospital sob os cuidados da equipe médica. A técnica em enfermagem Elenice Menezes lembra dos momentos em que a criança ainda brincava pelos corredores do hospital. “Assim que ele chegou aqui no hospital, virou nosso ‘xodó’! Ele deu os primeiros passinhos aqui com a gente, nós acompanhamos cada evolução, cada intercorrência. Vai ser difícil chegar aqui no setor sem vê-lo, mas eu sei que ele será bem cuidado com a família que o adotou”.

A médica pediatra Patrícia Otto, coordenadora da residência em pediatria da Santa Casa, e que acompanhou o paciente desde o início, disse que o longo período de internação foi devido à gravidade do caso do paciente. “Aqui ele sempre teve os cuidados de uma equipe multiprofissional 24 horas por dia. E essa mesma atenção ele receberá no novo lar, pois sabemos que a nova família lidou com caso semelhante e aqui demonstrou preparo para continuar com essa assistência”.

A adoção foi realizada no dia 29 de maio (Foto: Divulgação)

A adoção foi realizada no dia 29 de maio (Foto: Divulgação)

Salvar

A juíza da Vara da Infância, Adolescência e do Idoso de Campo Grande e que acompanhou todo o processo, Katy Braun, explicou que a adoção é realizada em fases, começando com um período de preparação dos interessados que, quando aprovados na avaliação psicossocial e por sentença judicial, são considerados habilitados para adotar e passam a integrar uma fila virtual em que esperam pelo filho com as características que desejam.

No entanto ela  ressalta que nos casos de crianças e adolescentes hospitalizadas e com a saúde mais frágil, a situação é ainda mais complexa. “As crianças e adolescentes que estão aguardando por uma família hoje, não são as mesmas desejadas pelos 34.443 pais pretendentes. Os adolescentes, grupos de irmãos e crianças com deficiência ou doença grave são a maioria dos 5.026 disponíveis no sistema nacional de adoção”, afirmou a juíza.

Via: Revista Crescer