Aos 87 anos, cabeleireira em atividade mais velha do Brasil trabalha em Curitiba

05/06/2017 às 11:42.

Dos 87 outonos que Sumico Sacuno Nakamura presenciou, 62 foram vividos dentro do salão de beleza, entre cortes de cabelo, sessões de depilação e peças de crochê nas horas vagas. E nem pensar em aposentadoria – enquanto puder, ela vai continuar trabalhando. Nesta semana, a senhora miúda de olhos sorridentes recebeu uma novidade surpreendente em seu salão, no bairro Ahú, em Curitiba: de acordo com o Rank Brasil, ela é a cabeleireira em atividade mais idosa do Brasil.  O segredo da vitalidade, segundo ela, é dedicar-se à bondade. “Estou sempre feliz, vivo com oração.”

Embora não haja nenhum traço que negue sua descendência japonesa, dona Sumico é conhecida, na verdade, por dona Maria. “É nome de batismo”. Dona Maria nasceu no dia 15 de abril de 1930 em Marília, interior de São Paulo, e passou por várias cidades do estado até chegar a Curitiba, onde mora desde então.

Sem nunca ter feito cursos, sua experiência profissional resumia-se ao trabalho na roça. “Eu puxava enxada aos 12 anos”, conta. Começou a trabalhar em um salão de beleza aos 25 anos. Hoje, perto de completar 90 anos de vida, ela comanda um salão pequeno, no primeiro andar da casa de sua sócia e braço-direito, Elizabeth Tabata, de 64 anos. Trabalha de terça-feira a sábado, assim que o salão abre até a última cliente, e faz de tudo, do serviço de manicure à depilação.

Sumico Sacuno Nakamura, a “Dona Maria”, começou a cortar cabelos aos 25 anos. Foto: Pedro Serápio/Gazeta do Povo

“Além da qualidade do serviço, a energia do salão é muito especial graças à dona Maria. Ela tem mãos mágicas, que transmitem generosidade e aconchego”, conta Carmen Japiassu, 58. Cliente semanal do salão há quase 30 anos, a economista garante que não houve uma única vez em que dona Maria estivesse triste ou séria. “Ela está sempre sorrindo”.

Bondade

Nos dias de folga, a cabeleireira mais idosa do Brasil dedica-se à família – tem três filhos, três netos e seis bisnetos, fora os 70 sobrinhos – e à religião. “Ela não perde uma missa de domingo”, conta a sócia. E, quando não está atendendo a clientes ou fazendo suas orações, dona Maria concentra-se totalmente em um hobby antigo: ajudar ao próximo.

Nos poucos dias de folga, dona Maria se dedica à família. Foto: Pedro Serapio/Gazeta do Povo

Ela produz peças de crochê e tricô para os netos, bisnetos e crianças carentes. “Nunca fiquei doente por causa da alegria das crianças”, conta, rindo. Segundo dona Maria, dor não lhe é uma palavra comum. “As pessoas tomam remédios demais. Conheço gente que toma 10, 20 comprimidos por dia. Eu não tomo nada – às vezes, uma vitamina C, quando o médico pede.” Depois de ter feito uma cirurgia de catarata, nem de óculos ela precisa.

Entre os sapatinhos de bebê prontos para doação, as mãos magras e marcadas pelo tempo produzem habilmente um pequeno polvo alaranjado. O produto faz parte de uma iniciativa, lançada recentemente, para auxiliar na recuperação de prematuros nas UTIs neonatais. Dona Maria ficou sabendo do movimento graças às clientes. “As freguesas são maravilhosas, sempre trazem novidade para mim”, explica.

Serviço

Salão de Beleza da dona Maria

Rua Colombo, 868. Telefone: (41) 3254-6446

Via:www.gazetadopovo.com.br