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Alunos são dispensados por falta de professor em colégios estaduais do Paraná

16/02/2017 às 07:42.

APP-Sindicato afirma que algumas escolas iniciaram ano sem professores. Colégio estadual de Curitiba não tem professores para 471 horas-aula.

Aulas no colégio Estadual Moradias Monteiro Lobato, em Curitiba foram canceladas por falta de professores (Foto: Getúlio Della Torres Júnior/Arquivo Pessoal)
Aulas no colégio Estadual Moradias Monteiro Lobato, em Curitiba, foram canceladas por falta de professores (Foto: Getúlio Della Torres Júnior/Arquivo Pessoal)

As aulas na rede estadual de ensino iniciaram em todo o Paraná, nesta quarta-feira (15). Cerca de 1 milhão de alunos estão matriculados em 2.100 escolas de todo o estado. O começo do novo ano letivo é marcado pelo impasse entre professores e governo por conta da Resolução 113, que trouxe mudanças na hora-atividade e na distribuição de aulas extraordinárias. Por conta disso, algumas escolas tiveram problemas nesse início de aulas.

Uma das escolas que enfrenta essa situação é o Colégio Estadual Moradias Monteiro Lobato, localizado no bairro Tatuquara, que precisou cancelar as aulas nesta quarta-feira porque não há professores suficientes. Das 2.000 horas-aulas previstas, não há professor para preencher 471. Além disso, a escola tem apenas dois funcionários para trabalhar das 7h40 às 22h40.

“Infelizmente, não ocorreu a contratação de professores a tempo e, com isso, não há docente para preencher todas as aulas necessárias. Na manhã desta quarta, acolhemos os alunos e explicamos que por falta de pessoal não tínhamos como iniciar as aulas”, explicou o diretor Getúlio Della Torres Júnior.

O colégio estadual Moradias Monteiro Lobato atende 2.300 alunos, distribuídos em 60 turmas. Conforme o diretor, somente as matérias de história, geografia e educação física estão com número suficiente de professores.

“Estou no sétimo ano na direção da escola e esse é o primeiro ano que não consigo iniciar as aulas no primeiro dia. Todo ano temos problemas, mas até 2016 os professores se desdobravam nas primeiras semanas, faziam horas a mais para atender todos os alunos.

Porém, com esse novo modelo de distribuição de aulas, os docentes não conseguem ficar na escola porque precisam dar aulas em outros colégios”, pontuou Júnior.

A Secretaria de Estado da Educação (SEED) relatou que houve casos pontuais de falta de professores em algumas escolas estaduais em Curitiba devido à paralisação da distribuição de aulas em decorrência de liminares do sindicato da categoria. A Secretaria disse que iniciará a distribuição de aulas para professores ainda nesta semana.

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) ainda não concluiu o balanço de colégios que enfrentam problema no início do ano letivo, porém informou que algumas escolas dispensaram alunos por falta de professores, devido a problemas na distribuição de aulas.

Além da falta de professores, colégio estadual Moradias Monteiro Lobato tem poucos funcionários (Foto: Getúlio Della Torres Júnior/Arquivo Pessoal)
Além da falta de professores, colégio estadual Moradias Monteiro Lobato tem poucos funcionários (Foto: Getúlio Della Torres Júnior/Arquivo Pessoal)

Impasse na distribuição de aulas
No dia 8 de fevereiro, a Justiça do Paraná suspendeu a redução de hora-atividade dos professores da rede estadual de educação. Na decisão, o juiz Guilherme de Paula Rezende, da 4ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba, concedeu uma liminar contra resolução da Secretaria de Estado da Educação (SEED) que reduziu de sete para cinco as atividades fora de sala de aula – como pesquisa, correção de provas e trabalhos e preparação de aulas.

A ação foi proposta pela (APP-Sindicato), que alegou que redução das horas para atividades fora de sala alteram a composição da jornada de trabalho e viola o princípio da legalidade.

Já no dia 9 de fevereiro, a Secretaria de Estado da Educação (SEED) interrompeu temporariamente a distribuição de aulas na rede pública estadual de ensino, após notificação da liminar da Justiça que suspendeu a redução de hora-atividade dos professores, que passaria de sete para cinco horas em 2017.

Via: G1